As emissoras brasileiras tiveram cancelamentos relevantes ao longo de 2015. Entre a decadência, o simples esgotamento de formatos ou a vontade de mudança, o último a apagar a luz foi o "CQC", premiado híbrido de jornalismo e humor que se despede da grade da Band depois de oito anos.
A audiência manda na televisão. É ela quem atrai os anunciantes e investimentos e diz quem deve ou não ficar na programação. E foi justamente a audiência que se afastou do "CQC" nos últimos três anos, período em que o programa perdeu relevância, prestígio e o apresentador Marcelo Tas – que no último ano foi substituído pelo ator Dan Stulbach.
Segundo a Band, o programa para em 2016 e volta reformulado a partir de 2017. "Foi um programa que rendeu muitos frutos para a Band ao longo de toda sua existência. Acredito que mudamos o jeito com que a informação pode ser explorada e exibida. Essa parada é estratégica e nos dará a oportunidade de escolher o rumo mais apropriado para a produção", garante Diego Guebel, diretor artístico da emissora.
O comunicado de cancelamento do "CQC" pegou a todos de surpresa. Assim como a despedida de Marília Gabriela do formato "cara a cara" de entrevistas que a consagrou. A jornalista negociou sua saída do SBT de forma amigável e se despediu do "De Frente Com Gabi" e do "Gabi Quase Proibida" no início do ano.
Depois, no início de dezembro, ela fez o mesmo com o canal pago GNT, onde apresentava o "Marília Gabriela Entrevista". "Saí do SBT e do GNT pela porta da frente. Eram contratos maravilhosos e dois lugares em que eu adorava trabalhar. Mas meu cansaço com esse formato falou mais alto. Faço a mesma coisa desde os anos 1980 e, no momento, a renovação é vital para mim. Quero me aventurar por outros mundos", assume Marília, que vem investindo cada vez mais nas Artes Cênicas.
Sair da mesmice foi o que também motivou o cancelamento do humorístico "Tapas & Beijos", da Globo. Mas, no caso, a necessidade de "mudança de ares" foi coletiva. Previsto para durar apenas três temporadas, o programa ganhou mais duas por conta de sua boa audiência. "Nunca pensamos a longo prazo. No final, a sensação de que a missão estava cumprida foi muito boa. Cinco temporadas foram o ideal para contar essa história e liberar esse elenco tão talentoso", conta Maurício Farias, diretor de núcleo do programa.
Para Fernanda Torres, intérprete da tresloucada Fátima, finalizar o programa com elenco e textos ainda afiados foi uma decisão conjunta. "Odiaria ver a série caindo no ostracismo ou saindo do ar com a audiência muito baixa. Foi um projeto legal e vitorioso desde o início", valoriza.

SOBREVIDA
Mais cuidadosa com seus cancelamentos, a Globo "perdeu a mão" com a exibição do dominical "Tomara Que Caia". Mistura de game e humor stand-up, o programa sofreu com críticas e viu seu elenco e audiência escaparem por entre os dedos. No entanto, o prestígio do diretor de núcleo Boninho acabou dando sobrevida ao humorístico na grade. Era para ficar no ar apenas até setembro e terminou no início de novembro. "A gente estava ensaiando para o próximo episódio quando chegou a notícia de que não teriam mais edições", conta Fabiana Karla.
Deixar o elenco e produção perdidos em meio a boatos de cancelamentos é algo mais comum na Record. E foi exatamente o que aconteceu com o "Programa da Tarde" ao longo de 2015. No final do ano passado, o programa já havia perdido anunciantes e Ana Hickmann, sua principal apresentadora. Depois de três anos no ar e audiência oscilante entre três e quatro pontos, o vespertino não resistiu. "Foi o fim de um ciclo. O público da tarde ainda é uma incógnita para as emissoras. É preciso insistir e continuar criando novas propostas", analisa Ticiane Pinheiro, titular da produção ao lado de Britto Jr.

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