Corrida para ver MATRIX
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quinta-feira, 06 de novembro de 2003
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Centenas de fãs de ''Matrix'' se reuniram ontem de manhã nos cinemas de Londrina para assistir a estréia nacional, e também mundial, do episódio final da trilogia dos irmãos Wachowski ''Matrix Revolutions''. Em todo o Brasil, 450 cópias foram distribuídas em 71 cidades. Depois de quatro meses, quando foi lançado a segundo episódio, o ''Matrix Reloaded'', a expectativa era grande para o final da luta entre ''chips e cérebros'' iniciada em ''Matrix'', em 1999. No filme, Neo (Keanu Heaves) é um hacker ''predestinado'' que tem a missão de salvar o mundo da dominção das máquinas, maquiavelicamente comandadas pelo agente Smith (Hugo Weaving). O enredo que, acompanhado de muitos efeitos de alta tecnologia, kung fu, ficção científica, filosofia, ciência e religião, tem conquistado fãs do mundo inteiro.
O estudante Diego Ferreira da Costa Correa, 15 anos, sem comunicar o pai, matou aula para assistir ao filme. Às 10 horas, era o primeiro da fila para comprar o ingresso da sessão de estréia, ao meio-dia. ''Na verdade, cheguei aqui às nove e não estou aguentando de ansiedade. Olha, estou tremendo...'', comentou. Vestido de preto, dentro do estilo ''cyber punk'', na sua própria definição, que lembra o personagem principal do filme, Diego disse que são incontáveis as vezes que assistiu às duas versões anteriores. ''Estou muito ansioso. Tenho medo que o final me decepcione. Na internet tem muitos cometários sobre a versão final, mas fiz questão de não saber de nada. O filme é muito bom e quero aguardar a surpresa'', falou.
Luciana Coronado, 24 anos, foi a segunda da fila e também estava ansiosa para assistir a ''batalha final''. Aluna de cursinho, disse que o filme serve para muitas análises sociológicas, que já foram debatidas na sua sala de aula. '''Matrix' mostra a história da nossa sociedade, fala da alienação a que todos nos somos submetidos e dos limites dos seres humanos. Hoje a gente trabalha, assiste à novela, faz uma série de coisas de forma repetitiva, sem ter consciência da própria realidade, que, às vezes, preferimos não conhecer para evitar sofrimentos'', analisou.
''Ingressos para nove pessoas'' era a missão que o estudante de Física, Eugênio Bellini, 21 anos, teve que cumprir hoje de manhã para que ele e o grupo de amigos da faculdade pudessem assitir a primeira sessão. Ao todo, viu 12 vezes as duas versões do Matrix, além de tê-las em DVD, já sabendo os mínimos erros das gravações. ''Gosto muito de cinema e já sei de tudo que vai acontecer no final. Pelo que li, acho que a versão final deveria ser maior, ainda faltam algumas explicações como o que é o 'Oráculo' e o futuro da 'Matrix'. A história é muito envolvente'', destacou Bellini, que frequentemente participa de discussões sobre o filme na Gibiteca de Londrina.
Já Wagner Palaoro, 20 anos, não teve a mesma sorte. Ele e os seus amigos de cursinho tiveram que esperar para assistir à próxima sessão, às 13h15. ''Estou desesperado para ver o final. Acho o roteiro meio complicado e vi várias vezes os filmes anteriores'', comentou o estudante, já pronto para avisar ao pai que este teria que ir de táxi a um compromisso, já que ele ficaria no shopping, com o carro da família.
O casal de noivos Meirelen Rigon, 23 anos, e Marcus Terra, 26 anos, também deixaram os compromissos de lado para não perder a estréia. ''É um acontecimento mundial, é diferente a sensação, não podíamos perder. Eles revolucionaram a tecnologia e a história é ótima. Espero que o Neo seja realmente o 'escolhido''', torceu Terra, que é desenvolvedor de software.
O projetista de cinema, André Fernandes de Oliveira, não se conteve e pediu troca de horário para ser um dos primeiros a saber do tão esperado final. ''Sou apaixonado por esse estilo de cinema e mesmo tendo trabalhado ontem até a 1h30, não quis perder. Acho tudo um mistério, que nos tira da realidade'', afirmou, feliz por saber que poderá acompanhar, mesmo trabalhando, as projeções da parte da tarde.
Após assistir ao filme, o estudante Luiz Antônio Bartelli Júnior, 19 anos, aprovou o que viu: ''Achei que o final foi superior ao primeiro, mas não explicaram todos os elementos do filme e não duvido que tenha uma quarta versão'', respondeu. A assistente social Josiane Santos, 27 anos, criticou essa possibildade. ''Acho que eles deveriam ter concluído melhor as coisas. A sensação que dá é que a gente está presa nas mãos de quem está produzindo o filme...'' O estudante de Física, Eugênio Bellini, também disse que esperava um desfecho melhor. ''Não gostei do final. Esperava mais e acho que teriam potecializado o filme se tivessem investido nas explicações ao invés de colocar novos personagens.''
Segundo a gerente de marketing do Cine Catuaí, Ruth Moraes, a expectativa é que as sessões sejam sempre lotadas e que os filmes fiquem em cartaz por mais de três meses. ''A procura é muito grande e já se esgotaram os ingressos pela internet para os próximos dois dias'', informou. Os ingressos pela internet representam 20% da bilheteria disponível, o que dá cerca de 60 ingressos por sessão. O gerente do Cinemas Royal Plaza, Fábio Marcondes, também espera grande público e disse que vai manter as sessões do meio-dia até a próxima quinta-feira. (Confira a programação de cinema na página 2)


