Celso Mattos
De Londrina
Corra até a locadora mais próxima e aluge ‘‘Corra Lola, Corra’’, a melhor produção alemã dos últimos tempos. Premiado em vários festivais, o filme é um exercício cinematográfico divertido e perspicaz. É o cinema germânico trocando a verborragia pela adrenalina. ‘‘Corra Lola, Corra’’ é dirigido por Tom Tykwer, um jovem cineasta alemão que tem revelado uma admirável aptidão para tramas geométricas, estruturadas e apoiadas na repetição sistemática de imagens, a exemplo de seu trabalho anterior ‘‘Wintersleepers – O Inverno por Testemunha’’, filme mal distribuído no Brasil.
A trama e a estrutura são simples: Lola (Franka Potente) tem apenas vinte minutos para conseguir 100 mil marcos e salvar a vida de seu namorado Manni (Mortiz Bleibtreu). O filme é anfetamínico e enxuto, dura cerca de 80 minutos. A mesma situação – Lola correndo pela cidade atrás do dinheiro – é repetida três vezes. O interessante é que o ponto de vista narrativo é o mesmo. O diretor muda apenas pequenos fatos no começo de cada disparada, alterando assim todo o quadro. Personagens com quem Lola tromba na rua têm futuros diferentes, como o caso de adultério de seu pai.
A trilha sonora tecno e de boa qualidade funciona como espinha dorsal do filme, dando unidade às três narrativas. A batida estática pontua o filma como o mesmo rigor e urgência com que o relógio marca o tempo que passa de forma aflitiva. ‘‘Corra Lola, Corra’’ pode até ser acusado de se render à estética do videoclipe, mas a verdade é que se trata de um trabalho inovador e inteligente. É o tipo de filme que vale mais de uma corrida até a locadora para assisti-lo. ‘‘Corra Lola, Corra’’ ficou 14 semanas em cartaz nos cinemas brasileiros e vendeu mais de 95 mil ingressos. Imperdível! Lançamento da Columbia. Duração: 80 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
[Retr-Foto: cd 6 h 14]
Reprodução
Picas>
Um filme cheio de sustos óbvios e efeitos especiais medianos
Pânico no Lago
Depois que ‘‘Anaconda’’ nadou pelas águas do Rio Amazonas, ‘‘Pânico no Lago’’ é o maior emaranhado de clichês sobre filmes de monstros. Só é possível assistir ao filme e se divertir com tantas cenas implausíveis, deixando de lado o senso crítico e o bom gosto. A história não merece mais de uma linha: um gigante crocodilo aterroriza um lago no coração da América. É só isso, mesmo. O difícil é entender por que gente famosa como Bill Pullman, Bridget Fonda e Oliver Platt entraram nesse barco furado.
‘‘Pânico no Lago’’ não pode ser levado a sério e o telespectador vai perceber isso quando os personagens usam uma vaca viva como isca para capturar o crocodilo. E o que é pior: o monstro consegue devorá-la inteira com uma mordida só. Mas então por que diabos estou escrevendo sobre este filme? Porque tem gente que gosta de passar uma hora e meia vendo um filme que exige zero de esforço mental. Isto não é uma crítica, apenas uma constatação. ‘‘Pânico no Lago’’ é uma aventura cheia de sustos óbvios, sangue aos borbotões e efeitos especiais medianos. Lançamento da Fox Home Vídeo. Duração: 82 minutos..
[Retr-Foto:cd 6 I 14]
Reprodução
Picas>
Glenn Close e Christopher Walken vivem um casal que tenta superar as feridas do passado
Um Novo Reencontro
Uma produção pequena, mas com duas grandes estrelas no elenco: Glenn Close e Christopher Walken, sem falar no veterano Jack Palance. É um drama familiar e humano que fala sobre a dificuldade na relação entre pai e filho. A história se passa numa fazenda durante a Primeira Guerra Mundial, retratando a volta de John Witting (Jack Palance) à casa do filho Jacob (Christopher Walken) depois de muitos anos. O tempo, porém, não curou a ferida da ausência e a dor causada pelo abandono quando Jacob ainda era uma criança.
‘‘Um Novo Reencontro’’ mostra os fatos de forma lenta, sem grandes conflitos, mas com bastante humanismo. A direção de Glenn Jordan é convencional, mas eficiente e o elenco é o ponto alto do filme. Lançamento da Tope Tape. Duração: 120 minutos.

mockup