Curiosamente, em 2001 o cineasta cult John Carpenter (''Enigma do Ouro Mundo'', ''A Bruma Assassina'', ''Fuga de Nova York'') tomou a premissa básica de seu título seminal ''Assalto a 13 DP'', realizado em 1976 - que já era uma espécie de remake do western ''Rio Bravo'' de Howard Hawks - e a levou até o espaço para realizar ''Fantasmas de Marte'', uma bobagem sem tamanho, um torpe pastiche de horror e ficção científica que desonrou ambos os gêneros. Agora, o diretor francês Jean-François Richet chega poucos anos depois com uma refilmagem formal do citado ''Assalto a 13 DP''. É preciso admitir que o filme, embora jamais superior, é até bem competente. E também dar graças por não ter sido o próprio Carpenter a recontar sua história, três décadas mais tarde.
Está aqui descartado o clima sombrio e de pesadelo do original - e isto é lamentável, mas não irreparável. Richet optou por uma trama de ação que segue mais ou menos a mesma história. Em Detroit, a 13 Delegacia de Polícia, que em breve vai fechar para sempre, parece que vai ter uma noite de Ano Novo sem problemas, além da tempestade de neve lá fora. Lá dentro, o sargento Jake Roenick (Ethan Hawke), a secretária Íris Ferry (Drea de Matteo) e mais uma dupla de policiais tratam de empacotar as coisas para a mudança próxima. Mas eis que o acaso vai transformar aquela noite num inferno. Um criminoso recém capturado, Marion Bishop (Laurence Fishburne), é entregue sem ser esperado para ficar preso enquanto não melhoram as condições do tempo. Mas os homens de Bishop pretendem tirá-lo da prisão a qualquer custo. Começa então o assalto a DP do título.
Difícil esquecer o humor negro e as segundas intenções políticas do roteiro que percorriam o ''Assalto...'' de 1976, mas a seriedade e um certo ar solene desta nova versão não são descartáveis. Em seus melhores momentos, ''Assalto...'' examina a dinâmica e as reações de um grupo de pessoas no chamado beco sem saída. A destacar a interessante identidade visual obtida pelo controle e sobriedade pouco frequentes neste tipo de filme, com o diretor Richet felizmente se abstendo dos desgastados truques de câmera e montagem que outros teimam em empregar a torto e a direito, em nome do ''frescor'' e do ''dinamismo'' do modernoso filme de ação. Um remake sem dúvida competente e respeitoso.

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