Um caminho a ser conhecido e superado, a morte no espetáculo ''Vem Vai - O Caminho dos Mortos'', da Cia. Livre, de São Paulo, ganhador do Prêmio Shell de Melhor Direção e Melhor Atriz'', é um itinerário em que olhar para trás é ficar preso pela memória.
Estréia de hoje no 40º Festival Internacional de Londrina (Filo), na Casa de Cultura da UEL, com reapresentação até quinta-feira, a peça de criação colaborativa, com direção de Cibele Forjaz, premiada com o Shell pela montagem, leva o público a não dar atenção somente às suas experiências - a memória, a saudade e a lembrança - que pesam muito nesse caminho.
Com um Shell também para a atuação de Lúcia Romano e outras indicações de Melhor Música, Luiz Gayotto, e Cenografia, Simone Mina, ''Vem Vai'' pegou o caminho dos mitos sobre a morte e renascimento dos povos ameríndios. Para fazer essa viagem, a companhia contou com a dramaturgia de Newton Moreno e a orientação do antropólogo Pedro Cesarino, criando cinco estações para uma experiência sobre a morte.
Antes de chegar ao final dessa trajetória, o espectador passará pela ''Morte Simbólica'', ''O Canibalismo Guerreiro'', ''O Canibalismo Funerário'', ''Vem Vai o Caminho da Morte'' e o ''Canibalismo Celeste''. ''A diferença dos povos ameríndios para nós ocidentais é que a morte é um caminho natural a ser realizado. Quando vai para a morte é uma aventura, onde exercitará o que aprendeu em vida'', explica Lúcia Romano.
O processo de criação do grupo foi de um ano. ''Nos surpreendemos com o que encontramos. A nossa sociedade sempre vê a morte como o fim da vida e que as pessoas deixam de existir. Se não existisse a morte a vida não valeria a vida. Entre os ameríndios não há começo e fim, mas uma eterna transformação'', destaca Cibele Forjaz.

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