Na edição de ontem da Folha2, em função de um erro técnico foi suprimida uma parte da matéria ‘‘A Esperteza em Primeiro Lugar’’, assinada por Paulo San Martin e publicada na página 6. Abaixo, reproduzimos o texto que saiu de forma incompleta:
Algumas das artes de Guido em ‘‘A Vida É Bela’’ são transcrições quase literais de aventuras de Pedro Malasartes e seus muitos irmãos. Quem desconfia deve ler, por exemplo, a história ‘‘Na Terra dos Sabichões’’, recolhido da tradição popular por Hernâni Donato em ‘‘Novas Aventuras de Pedro Malasartes’’ e publicada pela Editora Melhoramentos em 1967. Ali, a capacidade incomum que Malasartes apresenta para decifrar e propor charadas é o que lhe garante comida e bebida de graça e trânsito livre no universo dos poderosos, como acontece com Guido. Aliás, a estrofe final de outro livro, ‘‘Malasaventuras’’, um cordel escrito em redondilhas por Pedro Bandeira e publicado pela Editora Moderna em 1984, se encaixa perfeitamente nas cenas do herói travesso de ‘‘A Vida É Bela’’: ‘‘Depois de tanta aventura/ Vai ficar esta certeza:/ quem não tem força e poder/tem de usar sua esperteza’’.
Benigni não foi o único neste final de século a descobrir que Pedro Malasartes e seus irmãos estão vivos e mais espertos do que nunca. Há três anos, um grupo de professores paulistas e cariocas voltou a se debruçar sobre as artimanhas de Malasartes depois de uma casualidade ocorrida num Seminário de Literatura e Língua Portuguesa na cidade de Rezende, no Rio de Janeiro. A casualidade foi proporcionada pelo professor Fábio Queiróz, da rede pública de ensino de Paulínia, interior de São Paulo. Em busca de personagens que se adaptassem a um novo método de ensino de Literatura idealizado por ele, Queiróz encontrou Pedro Malasartes. ‘‘Eu conhecia muito pouco sobre este jovem espertalhão e travesso. Mas logo me fascinei por ele’’, lembra.
Queiróz levou o personagem para o seminário de Rezende e até ele ficou surpreso com o resultado. Em todas as salas de aula onde aplicou seu método, Malasartes rapidamente se transformava no herói preferido. ‘‘E olhe que ele competia ali com modernos heróis do cinema, do gibi e do videogame, apresentados não só por mim mas por diversos professores’’, conta. O poder de Malasartes chamou atenção de outros professores paulistas e cariocas que decidiram formar um grupo especial de estudo para investigar mais a fundo este personagem mítico. Este trabalho conjunto resultou num livro que o grupo pretende publicar ainda este ano e que faz uma prospeção universal do mito do Malasartes.

mockup