São Paulo, 24 (AE) - É uma das tradições da mostra: a coletiva de apresentação do júri que vai atribuir o Troféu Bandeira Paulista, seguida de uma feijoada no Terraço Itália, no centro de São Paulo. Foi com a vista de São Paulo ao fundo que o organizador do evento, Leon Cakoff, anunciou os 12 filmes selecionados na votação popular.
Sim, um deles é "Corra Lola, Corra", do alemão Tom Tykwer, que virou o filme mais cultuado desta 23.ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Os outros 11 filmes são: "Aimée e Jaguar", de Max F„rberb”ck, e "Figuras da Noite", de Andreas Dresen, também da Alemanha; "Beautiful People - Guerra dos Outros", de Jazmin Dizdar, e "Simon Magus", de Ben Hopkins, os dois da Inglaterra; "Beirute Oeste", de Ziad Doueiri, franco-libanês; "Os Cinco Sentidos", de Jeremy Podeswa, do Canadá; "Filhotes", de Ash, dos Estados Unidos; "Louise (Take 2)", de Siegfried, da França; "Jornada para o Sol", de Yesim Ustaoglu, turco-franco-alemão; "Ressaca Total"
de Peter Naess, da Noruega; e "O Retorno do Idiota", de Sasa Gedeon, de República Checa.
O júri de seis integrantes é integrado pelo produtor Cedomir Kolar, da França, pelos diretores dos Festivais de Locarno e Telluride, Marco Muller e Tom Luddy, e pelos diretores Hector Babenco, do Brasil, Peter Cohen, da Suécia, e Marion H„nsel, da Bélgica. Ela é a única mulher no júri deste ano, o que levou à pergunta inevitável - será que vai conseguir fazer valer o olhar feminino?
Em primeiro lugar, existe este olhar feminino? Marion, que integra a seleção da mostra com "A Pedreira", acredita que sim. Não é o primeiro júri do qual participa. Houve outros e nunca ela era a única mulher entre os integrantes. Não sabe, sinceramente, se vai conseguir fazer valer a sensibilidade feminina ou se será levada de roldão pelos integrantes masculinos do júri.
Babenco, que ganhou a mostra (quando ainda não havia o Prêmio Bandeira Paulista) com "Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia", sintetizou a opinião geral, ao dizer que vai selecionar o melhor entre os filmes que lhe falarem à inteligência e ao coração. Nenhum integrante do júri tem "a prioris". Querem ver os filmes e selecionar o melhor, sem nenhum preconceito ou carta marcada de antecedência.
Como diretor do importante Festival de Locarno, na Suíça
Marco Muller foi chamado a dar a opinião sobre o cinema brasileiro atual. Pegou como paradigma a lista dos filmes brasileiros que concorrem à indicação para o Oscar. Considerou "Orfeu" particularmente decepcionante. Cacá Diegues é um cineasta talentoso, disse Muller, mas fez um filme para o mercado internacional, que poderá até o habilitar ao Oscar, mas não honra as origens brasileiras e cinema-novistas.
Muller, que tem um pé no Brasil (a mãe é brasileira - ele fala português), destacou o que lhe parece um exemplo de filme brasileiro inteligente e atual - "Dois Córregos", de Carlão Reichenbach, que selecionou para o Festival de Locarno deste ano. Babenco acha que nem o Brasil nem nenhuma outra cinematografia deve se pautar pelo Oscar, que definiu como um prêmio específico e não julga o mais importante do mundo.
Entre os filmes de hoje, dois destaques do Oriente: "Nenhum a Menos", de Zhang Yimou, que ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza; e "Vive lAmour", de Tsai Ming-liang, também premiado em Veneza, em 1994.

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