CORPO MOSTRA 'O CORPO'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de novembro de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
A tradição vem de anos. No mês de novembro os mineiros do Grupo Corpo aportam no palco do Guairão, em Curitiba, para dançar e encantar um público dia-a-dia mais cativo. Hoje eles estão mais uma vez no mesmo teatro, para apresentar seu mais novo trabalho, O Corpo, coreografado por Rodrigo Pederneiras, sobre a música de Arnaldo Antunes. O espetáculo tem início às 21 horas.
A primeira parte da noite trará 21, com música de Marco Antônio Guimarães, do Uakti. Depois virá a obra mais recente. Além da habitual qualidade do Corpo, a platéia terá como novidade a participação ativa de Arnaldo Antunes (voz e violão), liderando um conjunto onde também atua a cantora Mônica Salmaso.
O músico e compositor está envolvido até a medula neste espetáculo. Seu poema, declamado por ele mesmo, fala do corpo primeiro detendo-se em detalhes mão, pé, umbigo, pernas , depois partindo para os verbos e intenções: me ame/ me ate/ me tema/ me mate. Evolui para a fragilidade física e a alma: se cortado espirra um líquido vermelho/ O corpo tem alguém como recheio.
Rodrigo Pederneiras construiu a dança para os 19 bailarinos da companhia, utilizando quatro poemas escritos especialmente por Antunes, outros dois extraídos dos livros Psia e As Coisas, e um fragmento de Alice Através do Espelho, de Lewis Carrol. A música criada pelo compositor, como uma grande peça sinfônica, traz referências do rock, baião, funk, techno, marcha, balada, reggae, samba de roda, músicas árabe e indígena.
O cenário idealizado por Paulo Pederneiras recebeu uma iluminação propositadamente vermelha, nos mais diversos matizes. Só poderia ser o rubro da vida e da paixão, como hospedeira do corpo.
O músico e poeta explica como chegou ao projeto final, depois de aceitar o convite da companhia, justamente para o bailado que comemora seus 25 anos de fundação. Sobre a experiência, escreveu:
O nome do conjunto já me disse tudo. Corpo(...). Nunca tinha feito antes música especificamente para dança. Para mim, o que a experiência teve de desafio, teve também de exercício de liberdade de linguagem. Achei legal poder usar texto de outra forma, próximo à linguagem da canção, mas sem se prender ao seu formato.
Daí o uso de muitos canais de vozes simultâneas, que vão se tornando ritmo, tom, som. Agora, uma vez que o processo de trabalho do Corpo parte sempre da música, fica uma curiosidade enorme de ver o que aquilo vai despertar na coreografia, no cenário, na luz. Com os corpos físicos vão receber e devolver os corpos das palavras e sons.
A peça que abre a sessão gira o tempo todo em torno do número 21, daí a razão do título. Nos 40 minutos de duração do balé, os integrantes da companhia passam por climas variados, atravessam momentos de linguagem simples e econômica, até explodir numa incontida alegria final, sob uma colcha de retalhos monumental, de 10 metros de altura por 18 de comprimento. Com estampas de cores vibrantes é o próprio interior brasileiro em cena.
Grupo Corpo apresenta seu mais novo balé, O Corpo, com música de Arnaldo Antunes. Na primeira parte da noite terá a apresentação de 21, com música de Marco Antônio Guimarães, do Uakti. Hoje, às 21 horas, no Guairão. Ingressos a preço único: R$ 30,00.


