Corpo explora o espaço
Michele Muller
De Curitiba
Especial para a Folha2
Benguelê, coreografia do Grupo Corpo apresentada no ano passado em Curitiba, volta em cartaz no Guairão, hoje, numa única apresentação. Dessa vez, a dança será precedida por Sete ou Oito Peças para um Ballet - estreada em 1994. A apresentação, que encerra a turnê brasileira, está marcada para as 21 horas. O grupo está sendo patrocinado pela Tele Centro Sul / Telepar, Shell e Projeto Cultural Colombo Brastemp.
A proposta da companhia mineira, ao reunir os dois balés num mesmo espetáculo, é mostrar o contraste de trabalhos desenvolvidos em épocas diferentes. A distância entre um e outro não é apenas temporal. Enquanto na primeira parte existe uma economia de movimentos, criados a partir do conceito minimalista, na segunda o espaço é largamente explorado.
E não podia ser diferente, já que Benguelê tem como tema as raízes da cultura brasileira, caracterizada pela ginga e exuberância. Inspirada nos ritmos nacionais, influenciados pela música da África e Europa, a coreografia tem trilha sonora assinada por João Bosco.
O compositor buscou referências não apenas nas batidas africanas, mas em composições de Ravel e Stravinski, e no som árabe. E a dança traz essa mistura toda, diz Rodrigo Pederneiras - coreógrafo do grupo desde 1978. A idéia é mostrar os caminhos por onde passamos para chegar onde estamos hoje.
Os 19 bailarinos levam ao palco a espontaneidade nacional sem abandonar a precisão, a técnica e o cuidado com detalhes que transformaram o Grupo Corpo na companhia de dança mais consagrada do País. Nesse balé existe uma maior preocupação com a dinâmica do movimento do que com a forma em si. Os dançarinos têm um tipo de movimentação que parte da bacia, explica o coreógrafo.
Sete ou Oito Peças para um Ballet e Benguelê, com o Grupo Corpo Companhia de Dança, hoje, às 21 horas, no Guairão.
Ingressos à venda por R$ 25,00 na bilheteria do TeatroUm balé minimalista e outro que explora largamente o espaço serão mostrados hoje em Curitiba pelo grupo mineiro
José Luiz Pederneiras/DivulgaçãoBenguelê: ginga e exuberância num trabalho que tem como base as raízes brasileiras





