ReproduçãoCena de ‘‘Kama Sutra’’, uma fábula eróticaDe volta à Índia natal depois de uma temporada nos Estados Unidos, onde realizou a tórrida love story inter-racial ‘‘Mississipi Masala’’ e a comédia dramática ‘‘The Perez Family’’, a diretora Mira Nair, 40 anos, traz agora ao Ocidente o drama erótico ‘‘Kama-Sutra’’ (veja a programação de cinema na página 5) . O filme tira o título do famoso guia hindu da arte do amor, mas a diretora descreve sua fábula erótica como uma abordagem ‘‘não acrobática’’ do texto original. A narrativa de ‘‘Kama-Sutra’’ está localizada na Índia do século 16, período em que surgiram ritos e crenças vivos ainda hoje. O argumento gira em torno da relação entre a rainha Tara e a cortesã Maya. As heroínas do filme são amigas desde pequenas, mas estiveram muito tempo separadas por causa de suas origens sociais. O rei Raj Singh contrata um escultor para decorar seu templo, e acaba perdido de amor pela modelo do artista, por coincidência a amiga da rainha, Maya.
Nenhuma acrobacia ou contorsionismo mais audacioso, talvez. Mas pode-se esperar certa ênfase carnal e sem duvida sensíveis amostras de sexualidade feminina. Sarita Choudhury, cativante em ‘‘Mississipi Masala’’, é a rainha Tara. A estreante Indira Varma aparece como Maya. A equipe técnica de primeiro escalão é norte-americana.
Corpo restaurado Poucos filmes receberam tanto carinho durante o processo de restauração como ‘‘Um Corpo que Cai’’/Vertigo (veja a programação de cinema na página 5) . De fato, a versão remodelada em 96 do clássico que Alfred Hitchcock dirigiu em 58 consumiu dois anos de trabalho insano dos peritos Jim Katz e Robert Harris (os reconstrutores de ‘‘Lawrence da Arábia’’ e ‘‘My Fair Lady’’) e custou mais de 1 milhão de dólares. A preocupação maior foi restaurar as cores originais e reconstituir o primeiro negativo em VistaVision - procedimento técnico criado pela Paramount em 1954, em que o fotograma resulta duas vezes maior do que o normal e de extrema nitidez, eliminando-se qualquer granulosidade da película. (Do negativo VistaVision também se obtém cópias ‘‘comprimidas’’ para o cinemascope ou cópias com duplo fotograma, o ‘‘VistaVision integral’’ para tela grande ou os 70 milímetros em que foi projetada nos Estados Unidos esta restauração de ‘‘Um Corpo que Cai’’.)
E a obsessão da dupla pelo detalhe foi autenticamente hitchcockiana. Harris e Katz até mesmo pediram e obtiveram da montadora inglesa Jaguar o tom exato da pintura dos modelos 56 e 57 para chegar à cor precisa do carro usado por Kim Novak no filme. Não era para menos: ‘‘Vertigo’’, sob todos os aspectos, é a mais pessoal, discutida e duradoura obra do mestre. Um filme para rever a qualquer tempo, e agora mais do que nunca, com o irresistível apelo do novo em folha. Ou quase: James Stewart já não há mais.

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