Tudo começou de um jeitinho despretensioso, após uma oficina de música. A paixão pelos instrumentos e a vontade de brincar com famosas composições brasileiras manteve o projeto ativo e, meio sem querer, o Monobloco se tornou um sucesso. Com apresentações enérgicas e arranjos criativos, o grupo se encorpou, reformulou, organizou e agora lança o DVD e CD ''Monobloco 10'', em comemoração aos dez anos da banda. Um apanhado dos clássicos nacionais reinventados para shows em corpo de baile e alma carnavalesca.
''O que a gente queria é tirar um retrato do que a gente fazia na estrada. Tivemos uma mudança, o grupo ganhou uma nova formação há dois anos. E esse material é resultado das músicas que a gente foi testando, experimentando, elaborando arranjos. No final, ficou um passeio variado, do pop, ao samba, de uma forma equilibrada. Acho que também mostrou um pouco do nosso crescimento, de nossos bailes na Fundição Progresso (no Rio de Janeiro), que é a nossa casa'', conta Celso Alvim, que, ao lado de Pedro Luís, Mário Moura, C.A. Ferrari e Sidon Silva formam a banda Pedro Luís e a Parede, o núcleo do grupo carioca Monobloco.
Formado por 20 instrumentistas, o Monobloco leva para o CD e DVD versões de músicos famosos, como ''Alagados'', do Paralamas do Sucesso; ''Frevo Mulher'', de Zé Ramalho; ''Isso aqui tá bom demais'', de Dominguinhos e Nando Cordel, entre outras. ''A característica do Monobloco é transportar diversos gêneros e ritmos para os instrumentos que usamos para o samba, o que chamamos de adaptação de ritmos. Nada é fiel ao original. São todas coisas inspiradas nas células originais, que dividimos nos naipes de instrumentos que usamos'', explica Pedro Luís.
Gravado ao vivo em 2009, na Fundição Progresso, o registro, que contou com participação especial de Elba Ramalho, busca o sucesso das performances ao vivo. ''O pessoal da produção fez questão de colocar o registro da perspectiva do espectador, com todas as coisas da plateia. Esperamos que o repertório que colecionamos faça com que as pessoas se sintam dentro do baile. Afinal de contas, as músicas que escolhemos já estão quase todas no inconsciente coletivo do brasileiro'', destaca Pedro Luís.
Com mais de 400 shows pelo Brasil e 400 mil foliões presentes em apresentação no encerramento do carnaval carioca de 2009 - trecho que está no DVD comemorativo -, o Monobloco usa na atual fase e neste segundo registro a experiência acumulada nesses dez anos. ''De repente, depois de tocar uma música, percebe que deu certo e que a música poderia ser usada depois para se comunicar com a anterior ou para quebrar a sequência. Isso vem da dinâmica dos shows'', relata Alvim.
Brincar com o repertório de canções consagradas do cenário tupiniquim não só enriquece a carreira dos integrantes como também oferece motivação e vigor, um ''respiro'', para os outros projetos, como o próprio Pedro Luís e a Parede. ''Uma das coisas que a gente procurou fazer foi deixar cada um com seu espaço próprio para trabalhos musicais. Cada um tem um trabalho musical fora do Monobloco. Acho isso fundamental para não aprisionar o Monobloco em um único estilo e para podermos oxigenar os outros trabalhos'', diz Alvim.
Ainda que compor não seja o principal objetivo, isso pode acontecer em breve. ''Para daqui um tempo, estamos pensando em lançar uma ou duas músicas inéditas de alguns integrantes por meio da banda, mas ainda é projeto a se pensar'', adianta Alvim, antes de manifestar a possibilidade de voltar ao Paraná, para shows em Londrina em Curitiba, a partir de abril.

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