CORPO, ARTE, AÇÃO
Gernot Bubenik faz exposição e workshop em Foz do Iguaçu utilizando o corpo, as emoções e as atitudes como veículos da pintura
Ney de SouzaGernot Bubenik e uma de suas obras: pintura com materiais alternativos como maisena, gelatina e outros produtos ecologicamente corretosNey de SouzaUm momento do workshop que estimula a liberdade corporal como veículo da expressão artística
Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para Folha
Gernot Bubenik é artista plástico, mas sempre esteve engajado em questões socioeconômicas (instituiu o seguro social para artistas em Berlim, na década de 70), ecológicas (possui, por exemplo, um projeto que une arte e um minhocário(?)) e psicossomáticas (desenvolve técnicas de relaxamento através da arte).
A união de todas estas vertentes resultou no workshop Coerência das Formas e Movimentos, desenvolvido por Bubenik durante os últimos vinte anos, e que está sendo realizado em várias cidades do Brasil. Para ele, qualquer produto que sai do corpo, seja uma emoção, um trabalho braçal ou uma obra de arte, precisa de ação para produzi-lo. O workshop estuda o momento em que as atitudes saem do corpo e tocam as superfícies.
Nascido em 1942 em Opava-Tschchién, província alemã, antes de estudar arte em Stuttgart aos 19 anos, trabalhou com jardinagem, experiência que o levou a criar técnicas alternativas, entre elas o body-printing, ou pintura corporal.
A técnica não é de exclusividade do artista, mas segundo ele, nunca foi usada com produtos naturais e ecologicamente corretos.
Na paleta do pintor é possível encontrar maisena, gelatina, cera de carnaúba, urucum e até mesmo barro, formado por diversas argilas coloridas.
Em Foz do Iguaçu, dezenas de pessoas já participaram das oficinas, realizadas no Ecomuseu de Itaipu (leia texto nesta página). Para acompanhar o workshop, ninguém precisa ser artista ou estar cursando arte. A técnica instrui os participantes a refletir sobre os fatos do dia ou da vida, para depois direcionar as imagens e sensações aos movimentos, provocando o corpo a criar formas independentes nas telas. A arte é expressada pela ação dos músculos e quando fazemos qualquer movimento, ele fica guardado na memória. Esta sensação poderá servir para desempenhar melhor os afazeres diários e com isso, viver bem, explicou o artista, lembrando aos interessados que, tão importante quanto a impressão da tinta sobre o quadro, é a impressão daquele momento no inconsciente.
A oficina começa com os alunos lançando papel machê colorido sobre o artista, que usa uma roupa especial frente a uma tela gigante. Esse trabalho serve para diminuir as barreiras entre eles, incluindo as da língua, pois Bubenik não fala português.
Em seguida começam os trabalhos de pintura corporal, onde os alunos usam pés, mãos, braços e até a cabeça, para compor os quadros de maneira livre e direta. As tintas, com base orgânica, não fazem mal à pele. A sensação de liberdade é enorme e isso ajuda a desenvolver um trabalho mais intuitivo, contou Léo Maia, artista plástica formada há quatro anos, explicando as reações que o workshop provocou em suas percepções artísticas.
Bubenik expôs trabalhos na Europa, Estados Unidos, África e Japão, recebendo dezenas de prêmios entre as 120 mostras já realizadas. Curiosamente, a sua arte chegou ao Brasil antes dele. Em 1986, uma exposição coletiva de artistas de Berlim percorreu dez capitais brasileiras. A sua primeira visita aconteceu somente dez anos depois.
Atualmente, além de desenvolver workshops quando está no País, procura manter projetos ligados à educação ambiental para crianças. Gernot Bubenik fica em Foz até o início de março, mas suas obras permanecem no Ecomuseu até 15 de abril.





