Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
Se os 500 Anos do Descobrimento do País despertassem tantas ações quanto despertam pesquisa e criatividade em artistas plásticos, o brasileiro não teria mais dúvidas quanto a um futuro digno e justo.
Artistas como Maria Júlia Fernandes e Maria Cristina Zilli são bons exemplos de dedicação, persistência e amor. As duas expõem seus trabalhos no Espaço Cultural do Aeroporto Internacional Afonso Pena - 3º piso, em São José dos Pinhais. Maria Cristina mostra as ‘‘Culturas Formadoras do Povo Brasileiro’’, até o dia 14 de maio. Maria Júlia, londrinense autodidata, apresenta 12 telas ilustradas com pesquisas sobre os ‘‘Índios Brasileiros’’, título da exposição, que permanece até o dia 18 de maio.
Com influência do pai, que trabalhou como piloto com os irmãos Villa-Boas, Maria Júlia ficou um ano e oito meses selecionando fotografias de índios, pesquisando na Internet e em bibliotecas, conversando com antropólogos da Funai. ‘‘É a primeira vez que exploro este tema, por isso, tanto trabalho’’, justifica.
O grande objetivo da mostra, segundo a artista plástica, é colocar em evidência o perfil social e político do índio brasileiro. ‘‘Nós preservamos inúmeras virtudes herdadas dos índios. Por exemplo, inocência, hospitalidade, beleza, alegria, capacidade, altivez, brio e orgulho, só para citar as mais importantes.’’
Maria Júlia conta que quando esteve em Roraima conheceu índios tucano e yanomámi que falavam, além dos seus dialetos, português, francês, inglês e espanhol. ‘‘Por todas essas virtudes e inteligência, eles facilitaram o contato com o homem branco e a consequente perda de identidade.’’
No entanto, critica, o brasileiro absorveu a cultura comercialista de outros povos. ‘‘Vejo o Brasil como um adolescente confuso vivendo um turbilhão de idéias sem saber por qual caminho seguir. Mas vamos amadurecer, por intermédio da educação e das artes, principalmente’’, sugere otimista.
Junto com a exposição, Maria Júlia montou um quadro com a localização dos grupos indígenas em todo o Brasil. Os dados são os fornecidos pela Funai e não estão nem atualizados nem precisos. Mas é possível se ter uma boa idéia da atual situação do índio brasileiro.
Entre os planos futuros da artista plástica, está escrever um livro com todos os dados que recolheu para este primeiro trabalho e produzir outras séries de quadros enfocando a maternidade indígena, objetos, arquitetura e rituais.
O site http://www.geocities.com/maria-julia-fernandes em dez dias recebeu 305 visitas, inclusive de um artista plástico espanhol que está realizando um trabalho sobre os índios do mundo todo e não tinha qualquer informação sobre os brasileiros.
Já o projeto da pintora paranaense Maria Cristina Zilli - ‘‘Culturas Formadoras do Povo Brasileiro’’ - tem como objetivo retratar elementos da origem do povo brasileiro como as culturas indígena, africana e portuguesa, bem como imagens da fauna e flora típicas das florestas tropicais brasileiras. A exposição está desde sexta-feira no Aeroporto Afonso Pena e permanece até o dia 14 de maio.
Maria Cristina apresenta 25 telas em técnica mista usando papel artesanal, confeccionado com fibras naturais, mesclados com figuras das etnias retratadas. A intenção da artista é levar ao público a beleza e riqueza plásticas desses elementos e sua importância cultural.Duas artistas plásticas paranaenses fazem da cultura indígena o motivo de sua pintura com resultados surpreendentes
ReproduçãoTela de Maria Cristina Zilli: pintora pesquisa as origens do povo brasileiroReprodução‘‘A Primeira Missa’’, de Maria Júlia Fernandes que fez uma pesquisa ampla sobre índios brasileiros a partir do descobrimento
Reprodução

Tela de Maria Júlia Fernandes: índio do grupo Gavião da região amazônica

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