Cores e texturas de Leda e Orlando
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de março de 1998
Elisa Marilia Carneiro 
Divulgação
Orlando Azevedo
Divulgação
Leda Catunda
Divulgação
A Casa da Imagem traz duas exposições em diferentes linguagens
Orlando Azevedo
Orlando retratou as cores e as texturas da cidade mineira de Itabirito, onde foram feitas as fotos
A Galeria Casa da Imagem abre amanhã, às 20 horas, duas exposições paralelas, que mesmo distintas têm uma relação íntima de texturas. O fotógrafo Orlando Azevedo mostra a Poética da Terra e a artista plástica Leda Catunda apresenta um trabalho sobre a superfície da pintura.
De acordo com Orlando, esta exposição faz parte de um projeto que envolve os signos: água, terra, fogo e ar. Estou tratando do aspecto cósmico no que se refere a pigmentos e poros da terra, define. As fotos foram feitas em Itabirito (MG) a segundo o autor, a raiz principal deste trabalho consiste na subjetividade e na abstração da composição e da cor de texturas.
Itabirito é um lugar de vales imensos, um labirinto de silêncio, diz Orlando. Ele esteve em Minas Gerais a convite do amigo e escultor Frans Kracjberg, junto com os fotógrafos Vilma Slomp e o francês Roger Pic. O lugar é realmente excepcional e, imagine, o pico de Itabirito foi decepado para se extrair o manganês. Há inclusive um poema de Carlos Drumond de Andrade sobre a região, conta.
Todas as 13 reproduções são quadradas, têm 1 metro por 1 metros e as fotos foram tiradas com uma câmara suéca Hasselblad, a melhor de formato médio, é a mesma usada por astronautas e a única criada por fotógrafos, ilustra. Cada foto teve tiragem máxima de 10 ampliações e estão sendo vendidas a R$ 1.500,00.
Dos espectadores, Orlando espera que percorram a mesma viagem cósmica da imagem, que compartilhem do mesmo prazer. Isto é a fotografia, sintetiza. O fotógrafo teve recentemente suas fotos publicadas na revista Photographers International, uma das mais respeitadas revistas de fotografia. Depois de Curitiba, os trabalhos vão para Porto Alegre (RS) onde ficam expostas na Usina do Gasômetro a partir de 20 de maio.
Os trabalhos da paulistana Leda Catunda formam objetos como rasgos, buracos e barrigas na tela. A continuidade do plano da pintura é interrompido por esses recortes, também pela conformação de módulos, como gotas ou partes unidas por argolas, define a artista.
Todos as obras giram em torno dessa mesma poética, isso é, o trabalho com a superfície da tela e com volumes, diz Leda. Alguns trabalhos usam dobras, outros sobreposições e ainda insetos.
Em alguns casos a superfície experimenta dobras horizontais e viradas para cima que a cada 12 centímetros engolem parte da pintura, a cor que entra se modifica para retornar semelhante.
Pensar nas possibilidades do plano e limites espaciais para a pintura, tem sido um dos principais assuntos formais presentes na criação desta e das recentes séries de pinturas, juntifica.
Os trabalhos ficam expostos até o dia 30 de abril, de segunda à sexta-feira, das 10h30 às 19 horas e aos sábados das 11h às 14 horas, na galeria Casa da Imagem, Rua Dr. Faivre, 591.
Orlando Azevedo é Açoriano de nascença, mas vive em Curitiba desde 1963. No final dos anos 60 montou uma banda, A Chave, que introduziu Paulo Leminski no rock. Apesar de advogado Orlando era o baterista da banda e lembra de uma música chamada Em Prol de Um Português Elétrico.
Mais tarde, encontrou na fotografia a melhor possibilidade de colaborar com a ampliação do misterioso poder de imaginação da humanidade. Dedica-se profissionalmente à publicidade e ao fotojornalismo. De acordo com o pesquisador e crítico de fotografia, Rubens Fernandes Júnior, Azevedo fotografa para documentar e reinventar o nosso tempo.
Leda Catunda é paulistana e já teve seus trabalhos vistos em 18 exposições individuais, em várias cidades do Brasil, em Portugal e na Holanda. Esta é a primeira vez que vem a Curitiba para uma individual. Em exposições coletivas participou de dezenas de mostras com trabalhos levados à quase todos os países da Europa, América do Sul, além dos Estados Unidos.
Começou a expor com mais destaque em 1983, ano em que participou da XVII Bienal Internacional de São Paulo, no Museu de Arte Contemporânea da USP. Desde então não parou mais de ver suas obras requisitados. Os trabalhos trazidos a Curitiba são a produção de 1997 com alguns trabalhos de 98.


