DivulgaçãoEquipe organiza o Dicionário de Artes Plásticas do Paraná: trabalho coordenado por Adalice AraújoEm 1968, o pesquisador Roberto Pontual ligou do Rio de Janeiro para a professora Adalice Araújo, em Curitiba, pedindo-lhe auxílio no levantamento dos artistas plásticos do Paraná. Ele estava compondo o Dicionário de Artes Plásticas do Brasil e a Secretaria de Cultura tinha enviado menos de meia-dúzia de nomes para ele. Adalice aceitou a empreitada. Assim teve início um sonho que estará se concretizando este ano - a realização do Dicionário das Artes Plásticas do Paraná.
A obra está em fase de execução, com apoio do Banestado, através da Lei de Incentivo Municipal. A impressão do livro espera pela aprovação do projeto na Lei Rouanet. O amplo apartamento de Adalice transformou-se num escritório onde uma equipe de 12 pessoas, incluindo especialistas em editoração e artes gráficas, trabalha em ritmo acelerado. A organizadora do dicionário quer seu lançamento dia 19 de dezembro, data em que se comemora a emancipação política do Estado.
É um trabalho de fôlego. Cerca de 6 mil nomes de artistas plásticos já foram levantados, e continuam chegando correspondências do interior. O prazo vai até 30 de junho para a remessa do material. Nem todos, porém, irão para o livro. Adalice acredita que ele terá uns 4.500 verbetes. Será um universo abrangendo todas as tendências artísticas, do acadêmico ao contemporâneo passando pelos primitivistas.
Dos primitivos boa parte é inédita até mesmo em salões, porque são artistas que nunca tiveram acesso a eles. ‘‘Os salões são indicativos, não determinantes’’, explica a coordenadora. Os 4.500 nomes previsíveis mostram o potencial artístico existente nos municípios paranaenses, segundo argumentos de Adalice. As pessoas não percebem essa presença numerosa de artistas, espalhada pelo Estado.
O foco principal continua sendo Curitiba, mas outros pontos destacam-se pela atuação dos profissionais, como Londrina, Ponta Grossa, Maringá, Cascavel. Londrina merece destaque especial na feitura do dicionário. Graças ao empenho de seus artistas conseguiu-se o patrocínio do banco para sua viabilização, conta Adalice Araújo. ‘‘Sou muito grata aos londrinenses’’, costuma dizer.
A realização do projeto permitirá que os artistas paranaenses ganhem espaço nacional. O dicionário será comercializado junto às livrarias de arte e remetidos aos museus, galerias, críticos de arte, universidades. A primeira edição terá 2 mil exemplares, e com o resultado das vendas pretende-se levantar fundos para uma segunda tiragem. ‘‘Ficará mais fácil a nova edição; difícil e oneroso está sendo agora’’, comenta a professora.
Com licenciatura em Artes Plásticas pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, Adalice Araújo é aposentada da Universidade Federal do Paraná. Por 26 anos manteve coluna de artes plásticas na imprensa curitibana, também a partir de 1968. Essa atividade valeu-lhe o contato amiúde com os artistas e as produções que surgiam dia a dia.
Manter-se atenta às artes fez com que a crítica estivesse atuante no meio artístico. Ao optar por este trabalho, evitou ser ‘‘engolida pelas aulas’’. Os quase 30 anos de proximidade com os artistas teve esse dom, de não ser tragada pelo magistério. Ao mesmo tempo deu-lhe subsídios para montar esta obra inédita e de fôlego, que se imagina será por muito tempo a principal referência paranaense. O Dicionário das Artes Plásticas do Paraná nasce como um clássico da pintura sulista.

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