Mais uma bela exposição do artista plástico Celso Coppio será aberta em Curitiba na próxima semana. Conhecido por retratar a alma das cidades, ele escolheu desta vez a enigmática Veneza, na Itália. O enfoque principal é o seu silencioso Carnaval. Coppio, que tem um atelier em Curitiba e outro em Roma, ainda comemora o fato de ter sido escolhido em meio a tantos excelentes artistas italianos para desenvolver um trabalho inédito naquele país.
A Pontifícia Universidade Salesiana de Roma encomendou a ele uma série de telas que deve contar a ‘‘Via Lucis’’, ou seja, a continuação da ‘‘Via Crucis’’, a partir da ressurreição de Jesus Cristo. As obras ficarão em exposição permanente.
‘‘Será um trabalho totalmente de imaginação, já que eu não tenho nenhum dado específico sobre isto’’, conta o artista. Os estudos já começaram, mas o trabalho completo só deverá ser entregue no segundo semestre de 2001. Antes de levar a série para a Itália, o artista promete apresentá-la em primeira mão ao público curitibano, numa grande mostra individual.
São 14 obras em tamanho 30 por 40 centímetros. A primeira, na qual Coppio está começando a trabalhar, retratará a Pietá ou mãe de Jesus Cristo. ‘‘Senti muito orgulho ao ser escolhido para realizar esta série já que a Itália tem inúmeros artistas de peso’’, confessa.
Para quem não conhece, o incontestável talento de Coppio poderá ser conferido mais uma vez, a partir da próxima quinta-feira, na mostra individual ‘‘La Serenissima’’, em Curitiba. São 30 obras em óleo sobre tela, das quais cerca de 20 retratam o famoso carnaval de Veneza.
Totalmente diferente da nossa, a festa italiana tem seu ponto forte nas roupas e máscaras: fartas e exuberantes. ‘‘É tudo muito luxuoso e silencioso, já que os mascarados não falam, apenas reverenciam quem passa pelas ruas’’, explica Coppio, que esteve lá neste ano.
As ruas lotadas de turistas e carnavalescos são embaladas pelo som das orquestras que tocam músicas renascentistas. De madrugada, muitas festas continuam dentro das casas, onde velas e tochas completam o clima de mistério. Outros foliões permanecem nas pontes, trapiches e praças, parcialmente escondidos pelas brumas de inverno que normalmente invadem a cidade.
Acostumado a retratar cidades, Coppio normalmente realiza o trabalho ao vivo, pintando no próprio local. No caso do carnaval veneziano, isto foi impossível devido ao grande número de gente nas ruas. Portanto, o artista realizou apenas desenhos num bloco de anotações, onde anotou o seu primeiro momento de inspiração. De volta a Curitiba, ele interpretou estes desenhos e deu um colorido próprio às imagens.
Artista do mundo, Coppio já mostrou em exposições recentes desde cidades próximas, como Antonina, Morretes (PR) ou Parati (RJ), até exóticas localidades na Índia, China, Japão, Malásia, Tailândia, Grécia, Egito ou Rússia, país que o surpreendeu como uma de suas maiores fontes de inspiração até hoje. ‘‘Lá se tropeça em obras de arte’’, comenta.
Morando e trabalhando em Curitiba há 22 anos, Coppio mantém paralelamente seu atelier em Roma há uma década. Ele ingressou na vida artística ainda criança, como escultor em terracota, sob a orientação do saudoso professor Sakai de Embú. Participou de cursos livres de História da Arte no Brasil e na Itália. Produziu e dirigiu curta-metragem em super-8 versando sobre o tema ‘‘Classes Sociais’’.
Coppio começou a pintar como auto-didata, passando depois a estudar desenho com Rosy Carrão e pintura com o saudoso mestre Salvador Rodrigues Júnior. Percorreu toda a Europa, Estados Unidos, Canadá, Oriente Médio e Extremo Oriente, estudando obras de grandes impressionistas.
Possui obras suas em coleções particulares em quase todo o Brasil e no exterior, nas cidades de Milão, Roma, Bergamo, Belluno, Florença, Bruscoli, Gênova, Pavia, Paris, Madrid, Barcelona, Nova Iorque, Zurich, Salzburg e Viena. Frequentou a Real Academia de Belas Artes de Barcelona, na condição de artista profissional.
A exposição individual de Celso Coppio, ‘‘La Serenissima’’, será aberta no próximo dia 9, às 21 horas, e poderá ser vista até o dia 15 de dezembro na Celso Coppio Galeria e Escola de Arte (Avenida Cândido Hartmann, 111, Bigorrilho, em Curitiba. Fone 41-222-5288).