Os artistas Dell, João Marcos e Café integram o "Utopiazada", coletivo de Curitiba: traços que interagem
Os artistas Dell, João Marcos e Café integram o "Utopiazada", coletivo de Curitiba: traços que interagem



Grande parte das paredes dos galpões da avenida Martiniano do Valle Filho, localizada na região Leste de Londrina (próximo ao Terminal Rodoviário), ganhou novas cores durante esta semana. Quem passar pelo local, com cerca de 300 metros de extensão, poderá ver o resultado do trabalho de mais de 50 grafiteiros convidados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná que estão na cidade participando de um evento inédito de pintura mural, o "Festival de Grafite Quarteirão das Artes", que tem o objetivo de valorizar e revitalizar o entorno do Marco Zero de Londrina. Neste sábado (9), haverá programação cultural gratuita para toda a comunidade com atividades musicais, apresentações de dança e gastronomia, das 16 às 22 horas. Neste dia, os vários coletivos e artistas independentes estarão finalizando os desenhos e conversando com os interessados sobre os trabalhos desenvolvidos.

A iniciativa do festival foi do coletivo de Londrina Cap Style Crew, formado pelos artistas Carão, Napa, Huggo Rocha, Korneta e Zion, que possuem diversos trabalhos realizados em várias regiões da cidade. "Esses encontros pelo País permitem que os artistas troquem experiências, influência da cultura e observem as técnicas que outros estão usando. Este festival, no entanto, está sendo um desafio ainda maior, porque, pela primeira vez, estamos pintando nas alturas, literalmente", diz Napa, um dos coordenadores do evento. A realização de toda logística do trabalho, já que os dez painéis possuem cerca de oito metros de altura, foi possível pelo patrocínio do Boulevard Londrina Shopping, Ibis Londrina, Leroy Merlin e Yticon Construção e Incorporação, além do apoio da Prefeitura Municipal de Londrina, envolvendo locação de plataformas elevatórias, tintas especiais, sprays e equipamentos específicos.

Com apoio de equipamentos, artistas de várias partes do País levam arte a dez painéis de oito metros de altura
Com apoio de equipamentos, artistas de várias partes do País levam arte a dez painéis de oito metros de altura | Foto: Fotos: Anderson Coelho



PONTO TURÍSTICO
Hoje, no Brasil, um dos trabalhos de referência da arte urbana em larga escala é o "Beco do Batman", nas vielas da Vila Madalena, em São Paulo, com dezenas de grafites de artistas do mundo todo. Após décadas de abandono, atualmente o local é um dos pontos mais visitados da cidade paulistana. Aos poucos, os coletivos de Londrina tentam acompanhar os passos e transformar os pontos daqui. Esta, inclusive, não é a primeira vez que o grupo participa de atividades do tipo. Há anos, de tempos em tempos, artistas se reúnem para pintar e grafitar os muros no entorno do Cemitério São Pedro, na região central, que já tornou-se parte da paisagem urbana da cidade. "Assim como em outras cidades, queremos tornar atrativo este espaço do Marco Zero, valorizar a região com a arte do grafite e até mesmo transformá-la em um ponto turístico, uma galeria a céu aberto", diz.
Intercâmbio

"Utopiazada" é o nome do coletivo de Curitiba formado pelos artistas Café, Dell e João Marcos. Cada um com um estilo próprio, destacam-se pelos traços minuciosamente pensados e elaborados. "Cada superfície é única, com suas características, texturas e estruturas; tudo é sempre um desafio novo. Essa parede, por exemplo, tem janelas e diferença de extensão que interferem na ideia. Por isso, antes de começarmos, nós três, em conjunto, pensamos em algo do trabalho de cada um que interagisse entre si, respeitando a identidade e personalidade das técnicas de acordo com o espaço disponível", detalha João Marcos, explicando que, do rosto realista de sua autoria do painel, o artista Café emendou um de seus personagens e, em volta, os traços "rasgados" do estilo do artista Dell. "As imagens conversam apesar das diferenças."

ARTE URBANA

Proposta do trabalho é valorizar a região do Marco Zero, criando uma galeria a céu aberto
Proposta do trabalho é valorizar a região do Marco Zero, criando uma galeria a céu aberto



O grafite nasceu na década de 1980 embebido da cultura hip hop e, pouco depois, mesclou-se com o mundo da arte por meio de Basquiat, Haring e Warhol, chegando ao século 21 com uma linguagem nova criada por artistas como Banksy, Blu, JR e os brasileiros OsGemeos, Nunca, Speto e Nina Pandolfo e o mais recente Eduardo Kobra. Este tipo de arte urbana, ou simplesmente de rua, apesar de ainda existir muito preconceito, se consolidou como manifestação artística e tem conquistado respeito e espaço no País, mesmo com medidas como as dos prefeito de São Paulo, João Doria, que mandou apagar todos os trabalhos da Avenida 23 de Maio. A arte urbana, contudo, vai além e abrange diversas frentes e diferentes técnicas e modalidades – umas mais bem ceitas que outras - que interagem com a cidade como stencil, lambe-lambe, instalações, tag, adesivo, bomb e grapixo.

Serviço
Festival de Grafite Quarteirão das Artes
Quando: Sábado (9), das 16 às 22 horas
Onde: Avenida Martiniano do Valle Filho (atrás do Boulevard Londrina Shopping)
Quanto: Gratuito

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