Coréia do Sul boicota James Bond
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de janeiro de 2003
Park Chan-Kyong<br> France Presse 
Seul - O mais recente filme da série James Bond, ''007 - Um novo dia para morrer'' está sendo alvo de um boicote na Coréia do Sul, depois de ter desatado a ira da Coréia do Norte.
O filme é criticado por dar à Coréia do Sul a imagem de uma mera colônia dos Estados Unidos e de mostrar os norte-coreanos como a encarnação do ''Mal'', em um momento marcado pela polêmica quanto ao programa nuclear de Pyongyang.
A distribuidora do filme reconheceu o efeito do boicote lançado pela Coréia do Sul e decidiu distribuir entradas de graça para atrair os espectadores.
Segundo a 20th Century Fox Korea, a última aventura do agente 007 só atraiu 582.600 sul-coreanos em duas semanas, um número considerado decepcionante, e dos 40 cinemas de Seul onde o filme estava programado, 23 o retiraram de cartaz.
O filme ocupa apenas o quinto lugar nas bilheterias, muito abaixo de ''O Senhor dos Anéis II'' e ''Harry Porter II'', que atraíram mais de quatro milhões de espectadores sul-coreanos cada um.
''Conseguimos nosso objetivo. A maioria dos sul-coreanos ouviu falar da campanha. E, inclusive, muitos dos que foram ver o filme só o fizeram para tirar sua própria idéia a respeito da controvérsia'', declarou Kang Hyung-Koo, dirigente do movimento ''A voz do povo'', que organizou o boicote.
A polêmica começou nos Estados Unidos, onde o filme foi denunciado pelos coreanos tão logo estreou. A campanha chegou à Coréia via internet. Um ator sul-coreano, Cha In-Pyo, virou estrela de um dia para outro porque declarou que recusou um papel no filme.
A hostilidade em relação a ''Um novo dia para morrer'' foi alimentada pelos clichês norte-americanos do filme - em que James Bond passa 14 meses sendo torturado pelos norte-coreanos -, mas também pela onda antinorte-americana registrada na Coréia do Sul desde o final do ano passado.
No país foi realizada uma série de manifestações contra os Estados Unidos, desencadeadas por um acidente causado por um blindado norte-americano perto de Seul, no qual morreram dois estudantes.
''O filme ignora gravemente a realidade da península coreana, mostrando o Sul como uma colônia dos Estados Unidos e o Norte como a encarnação do mal'', explicou Kang.
''Certos grupos quiseram converter isso em uma questão política, mas um filme é apenas um filme'', alegou, por sua vez, um porta-voz da 20th Century Fox Korea.


