Cordas brasileiríssimas
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segunda-feira, 07 de abril de 1997
Zeca Corrêa Leite Sucursal de Curitiba 
Gilson Camargo/DivulgaçãoMário da Silva Jr: um intérprete do que os compositores pensam,
da impressão que eles têm da realidadeQuase meio século de música feita para violão está sintetizado no CD Nova Música Brasileira, que o violonista Mário da Silva Jr. lançando hoje, no Teatro Bamerindus, às 21 horas. A trajetória se inicia com Villa-Lobos, um apaixonado pelo instrumento, e avança no tempo até chegar aos contemporâneos - e curitibanos - Chico Mello, Octávio Camargo, Norton Dudeque, Guilherme Campos e Jaime Zenamon.
Ao todo foram dez compositores que Mário da Silva escolheu para contar a história do dedilhar das cordas no Brasil do século 20. Neste seu primeiro CD o músico ataca de frente um problema enfrentado pelos autores nacionais - a falta de gravações das suas composições violonísticas.
Mesmo o mestre Garoto, um dos maiores deste País, colocou suas obras uma única vez em disco. Paulo Bellinati, Raphael Rabello e Turíbio Santos são alguns dos que tentaram resgatar a memória. São peças que já têm 50 e poucos anos e quatro ou cinco registros, lamenta Mário. Muita coisa é produzida e não é registrada.
Ele se deu à missão de imprimir a música recente, e teve a sorte de poder contar com a colaboração da quase totalidade dos compositores selecionados. Exceto Villa, Radamés Gnattali e Garoto, os demais estão vivos. Para um instrumentista que se declara um intérprete do que os compositores pensam, da impressão que eles têm da realidade, nada melhor do que poder chegar no estúdio e tirar dos donos das canções aquilo que imaginavam no momento em que compunham. Um barato, suspira Silva.
Clássicos e contemporâneosNa viagem pelo tempo, que o recital se propõe a realizar, o solista puxa os fios do novelo começando pelos mestres e suas composições que se tornaram clássicas, mesmo de execuções restritas. No repertório incluem-se Jorge do Fusa e Lamentos do Morro, de Garoto; Argamassa e Ninho de Cobra, de Waltel Branco (também paranaense, mas que está na área dos veteranos). De Radamés Gnattali executará Dança Brasileira.
Esse seria o lado mais clássico da noite; a etapa seguinte tem início com Edino Krieger e sua Ritmata, depois vem José Eduardo Gramani com Pinho. De cunho impressionista é a composição de Jaime Zenamon com The Black Window, onde ele descreve o acasalamento da aranha viúva negra, em três movimentos: Sedução, Dança (cópula) e Satisfação, quando o macho é devorado pela fêmea.
A geração mais nova de paranaenses que envereda no vanguardismo é representada por Guilherme Campos com a experimentalista Desenvolvimento nº 5, Octávio Camargo e sua versão de Desafinado, de Tom Jobim, em Desafignado; Norton Dudeque com Peça para Violão Solo e Chico Mello com Dança. O número final contará com as participações de Chico Mello, Orlando Fraga e Octávio Camargo, pois Dança foi escrita para quatro violões.
q Nova Música Brasileira - Lançamento do CD de Mário da Silva Jr., que traz composições de autores brasileiros dos anos 40 até nossos dias. Hoje, no Teatro Bamerindus, em Curitiba, às 21 horas. Ingressos a R$ 10,00. O CD será vendido no local a preço promocional de R$ 10,00.


