Houve um tempo em que os críticos podiam pensar em Alan Parker como um diretor talentoso. ‘‘A Chama Que não se Apaga’’, ‘‘The Wall’’, ‘‘Asas da Liberdade’’, há qualidades nesses filmes. Mais recentes, ‘‘Mississippi em Chamas’’ e ‘‘Evita’’ revelam, no requinte de seus clichês, que o diretor, vindo da publicidade, é um decorador de interiores que encara a mise-en-scene como se fosse cobertura de bolo. A definição é de José Onofre, mas é tão precisa que vale ser lembrada.
Parker dirige ‘‘Coração Satânico’’, que está saindo em DVD. Além das tradicionais escolhas de legendas e seleção de cenas, o disco digital traz extras que não deixam de ser atraentes - trailer de cinema, biografias, filmografias. O filme dos anos 80 baseia-se no romance de William Hjortsberg. É Fausto em clima de pulp fiction. Passaram-se 13 ou 14 anos, um pouco, mas não muito. É um filme do tempo em que Mickey Rourke (Mickey quem?) era astro. Sumiu, que Deus o tenha. Foi tarde, com seus maneirismos que sugeriam um Marlon Brando cover.
Rourke faz Harry Angel, o detetive de Nova York contratado para descobrir onde anda um certo Johnny Favourite. A busca leva-o às espeluncas de New Orleans, onde todos se recusam a informar onde anda ou o que ocorreu com o cantor. Angel não desiste e a cada nova tentativa encontra os possíveis informantes não só mortos, mas também horrivelmente mutilados.
Atenção para o satânico do título. Tem a ver com o próprio Diabo, que irrompe em cena, embora seja melhor não entrar em detalhes, caso o espectador não tenha visto o filme nos cinemas ou nas reprises pela televisão. A trama é permeada de crime, magia negra, violência. Na cena mais famosa, um casal faz sexo furiosamente enquanto verte água nas paredes do quarto - água que se transforma em sangue. Esse é um daqueles filmes que viraram cult. E do qual os críticos adoram falar mal.
‘‘Coração Satânico’’ (Angel Heart). EUA, 1987. Direção de Alan Parker. FlashStar. Nas lojas especializadas. R$ 30

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