Muitas pessoas ficaram surpresas quando o premiado diretor Francis Ford Coppola aceitou fazer ‘‘O Homem que Fazia Chover’’, baseado na obra de John Grisham. Afinal, o estilo operístico de Coppola não combina com a narrativa açucarada e yuppie de Grisham. Mas o resultado foi satisfatório. ‘‘O Homem que Fazia Chover’’, que está sendo lançado em vídeo é, com certeza, o filme menos pessoal do diretor, mas não deixa de ter o bom gosto e a segurança na direção de atores que são as marcas do diretor.
Mesmo contando pela enésima vez a história de um advogado idealista que luta contra uma corporação exploradora de fracos e oprimidos, Coppola conseguiu inovar. Personagens sujos e ambientes escuros dão ao filme um toque noir, contrastando com o universo almofadinha que predomina na obra de Grisham - basta lembrar de outras produções baseadas em seus livros como ‘‘A Firma’’ e ‘‘O Segredo’’. Além disso, Coppola evitou também alguns elementos característicos em fitas do gênero como os truques baratos de suspense e os excessos melodramáticos.
Apesar de ser um filme tradicional, quase acadêmico, ‘‘O Homem que Fazia Chover’’ diverte graças aos personagens secundários que participam da trama. O principal deles é Deck Shifflet (Danny De Vito), um picareta que se formou em Direito, mas levou pau seis vezes no exame da Ordem dos Advogados e, por isso, atua na profissão clandestinamente. Bruiser Stone, interpretado por Mickey Rourke, é outro personagem bizarro, um misto de advogado e gângster. Aliás, a presença de Mickey Rourke no elenco foi uma escolha pessoal de Coppola, que dirigiu o ator em ‘‘O Selvagem de Motocicleta’’, no final da década de 80, quando Rourke estava no auge da fama e era visto como o novo James Dean. Mas de lá pra cá, Mickey Rourke colecionou inúmeros fracassos e sua carreira declinou rapidamente.
Mas a grande estrela do filme é mesmo Matt Damon, que junto com o amigo Ben Affleck ganhou o Oscar de Melhor Roteiro por ‘‘Gênio Indomável’’. Quando Coppola convidou Damon para o papel do advogado idealista Rudy Baylor, o ator ainda era desconhecido em Hollywood. Fica evidente no filme como Matt Damon se esforçou para fazer bem o papel, mostrando o tempo todo ser um garoto tão persistente quanto seu personagem. Graças à competência do diretor e do elenco que está bastante afinado, pode-se dizer que ‘‘O Homem que Fazia Chover’’ é a melhor adaptação para o cinema de uma obra John Grisham.
O grande mérito de Coppola foi concentrar-se na dignidade e no coração do personagem Rudy Baylor, um jovem recém-formado em Direito que usa a profissão para ajudar os injustiçados. No filme, ele defende um rapaz pobre que sofre de leucemia e precisa fazer um transplante de medula que a companhia de seguro se recusa a pagar. Mas esse é apenas o foco central do filme que conta ainda com histórias paralelas muito interessantes. Lançamento da CIC Vídeo. Duração: 135 minutos.ReproduçãoMatt Damon e Danny De Vito unem as forças para defender os indefesos e oprimidosCelso Mattos

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