O presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob, não escondia a satisfação no momento do anúncio. ‘‘A importância é absoluta’’, declarou ele. ‘‘Vinte e um anos depois de incluído aquele 1979 na história do cinema, e apenas um ano depois da primeira visita de um presidente americano ao Vietnam, o filme de Coppola continua demonstrando que não perdeu sua força e nem sua pertinência’’.
Por sua vez, Francis Ford Coppola também não esconde que o momento é único:
‘‘Tive muita sorte por ter apresentado Apocalypse Now no Festival de Cannes daquele ano. Tudo no filme foi complicado e fora dos padrões, a preparação, a produção, as filmagens e mesmo a edição. Não cheguei mesmo a concluir tudo, e o filme foi visto no festival como ‘work in progress’ (traballho em andamento). A recepção do público e do júri ainda é uma lembrança maravilhosa, que deu à carreira do filme uma extraordinária ressonância’’.
Sobre a novidade em Cannes-2001, Coppola explica: ‘‘No início do ano passado decidi editar a versão definitiva. E o trabalho finalmente tornou-se um prazer. Não se tratava apenas de acrescentar cenas que cortamos durante a primeira edição, mas reeditar completamente o filme, usando novo material. O resultado é um filme 53 minutos mais longo, o que totaliza 3 horas e 17 minutos, o tema geral tornou-se mais claro, embora ainda perturbador mas também um pouco mais divertido e até romântico. Por sua vez, a perspectiva histórica tornou-se ainda mais forte. Não posso esperar para rever o travbalho na tela imensa do Palais de Festivals, numa cópia especialmente preparada por Vittorio Storaro, que utilizou o processo ‘‘dye transfer’’, obtendo um som remasterizado em seis canais.’’
Inspirado no livro‘‘O Coração das Trevas’’, de Joseph Conrad, ‘‘Apocalypse Now’’ é considerado uma das obras-primas de Coppola, ao lado de ‘‘O Poderoso Chefão’’ e ‘‘A Conversação’’, também Palma de Ouro em Cannes-74, e também o filme definitivo sobre o Vietnam. É a história do capitão Willard (Martin Sheen), enviado para os confins da selva do Cambodja. A missão: encontrar e matar o ensandecido coronel Kurtz (Marlon Brando), que lidera um exército de nativos e desertores. Num clima de horror e delírio, Coppola realizou um filme profundo e perturbador, extrapolando o conflito vietnamita para configurar-se como uma discussão filosófica sobre a guerra e a existência em geral.
(C.E.L.J.)

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