Convergência produtiva
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Geraldo Bessa<br>TV Press 
Buscar e testar novos formatos é uma constante na televisão. Atualmente, o setor de teledramaturgia de emissoras como Globo e Record as duas que mais injetam investimentos na área vem sendo invadido por produções que vão além da duração e do conteúdo tradicional já conhecido pelo público. Nesta nova ordem, percebe-se a aposta em microsséries de quatro episódios exibidos em dias seguidos , novelas de pouco mais de 70 capítulos, seriados de temporadas curtas e telefilmes.
"Depois de algumas modificações, acabamos criando um novo modelo. As minisséries de longa duração, que sempre estreavam em janeiro, viraram as novelas que são exibidas às 23 horas. As microssérie de quatro episódios e com influência do cinema ficaram com esse espaço na grade", explica Guel Arraes, principal incentivador do diálogo entre o cinema e a tevê dentro da Globo.
São do núcleo de Guel microsséries de sucesso como a pioneira "O Auto da Compadecida" que foi concebida como série e transformada em longa-metragem , de 1999, até produções recentes, feitas para o cinema e adaptadas para a tevê, caso de "Xingu" e "Gonzaga de Pai Para Filho".
Ao longo dos últimos anos, a concepção de uma produção que pudesse funcionar tanto na televisão quanto no cinema também influenciou outros realizadores dentro da Globo. No ano passado, Jorge Fernando gravou cenas extras e mais ousadas de "Dercy de Verdade", com a intenção de lançar um filme. No caminho inverso, "O Tempo e O Vento", de Jayme Monjardim, estreia no circuito comercial em agosto de 2013, para logo depois chegar à tevê em quatro episódios. "A produção é toda idealizada e formatada como um filme. Na hora da exibição na tevê é que a gente adequa a questão da linguagem e do tom mais popular e abrangente", entrega Jorge Fernando.
Fora deste diálogo entre mídias, o formato de microssérie também conquistou diretores e autores por sua concisão ao contar a história e pela estética apurada, como aconteceu com Dennis Carvalho em "Dalva e Herivelto Uma Canção de Amor", de 2010, e com José Luiz Villamarim, diretor-geral da novíssima "O Canto da Sereia". "A duração é perfeita para contar qualquer história de forma ágil e sem firulas", admite Villamarim.
Ao lado da microssérie, o formato de telefilme vem sendo cada vez mais utilizado no Brasil, seja na forma de especial de fim de ano ou com a função de testar o apelo de um seriado na audiência. Como é o caso de "Doce de Mãe", telefilme dirigido por Jorge Furtado que foi exibido durante a programação de fim de ano da Globo e que tem grandes chances de virar um seriado.
Na Record, a criação de telefilmes passa por um viés literário. Sempre em parceria com produtoras independentes, o "filão" foi inaugurado em 2008, com a adaptação do conto "Os Óculos de Pedro Antão", de Machado de Assis. Nos anos seguintes, contos de autores prestigiados, como Jorge Amado, Érico Veríssimo, Aluísio de Azevedo e o português Eça de Queiroz, foram escolhidos para integrarem o projeto de adaptação de clássicos da emissora. "A ideia da Record é fazer disso uma espécie de série. Algo que, ao longo dos anos, torne-se um dos grandes acervos de adaptações literárias do país", conta Adolfo Rosenthal, da produtora Contém Conteúdo que, em parceria com a Record, já fez cinco telefilmes, entre eles o recente "O Milagre dos Pássaros".
Foi com outra produtora, a Gurlane, que a Record também testou o formato de séries de temporadas curtas e exibição semanal. Apesar da desorganização de horários e da audiência abaixo do esperado em torno de cinco pontos , a experiência com "Fora de Controle", trama policial do autor Marcílio Moraes, agradou a direção da emissora. E há chances de que a produção ganhe uma segunda leva de episódios.
Na Globo, enquanto "Tapas & Beijos" e "A Grande Família" são os únicos seriados que conseguem se manter no esquema anual de produção, a emissora testa ideias e textos em programas variados com duração entre 5 e 13 episódios. Só nos últimos dois anos, a Globo apresentou ao público títulos como "Aline", "Divã", "A Mulher Invisível", "Macho Man", "Clandestinos O Sonho Não Acabou" e produções mais recentes como "Como Aproveitar O Fim do Mundo" e "Suburbia".
"Infelizmente, é a audiência que define quem fica e quem sai. Mas acho que essa diversidade de produções mais curtas é positiva para a emissora, que oxigena a programação e dá mais opções ao público", acredita Luiz Fernando Carvalho, diretor de "Suburbia".
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