Convênio garante apoio para distribuição de filmes nacionais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de dezembro de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 22 (AE) - Catorze filmes nacionais com lançamento previsto para os três primeiros meses de 2000 receberão verba do Ministério da Cultura (Minc) para distribuição, exibição, divulgação e publicidade. Cada filme receberá R$ 125 mil, num total de R$ 2 milhões, por meio de um convênio firmado com a distribuidora Riofilmes, da prefeitura do Rio, criada em 1992 e responsável pela distribuição de 80% da produção nacional. Dois dos filmes estréiam no dia 1.º de março: "Castelo Rá-Tim-Bum", de Cao Hamburger, e "Hans Staden", de Carlos Alberto Pereira.
"A distribuição é a etapa mais estrangulada da produção cinematográfica nacional", disse o secretário de Audiovisual do Ministério da Cultura, José álvaro Moyses, ao anunciar, na terça-feira, o convênio. "Esta verba servirá para todas as etapas da distribuição, da feitura de cópias à publicidade nos meios de comunicação, sem esquecer a produção de trailers". Moyses explicou que o critério para selecionar os filmes foi pragmático.
"Escolhemos as produções que estão prontas para estrear porque, neste primeiro momento, em que estamos experimentando uma nova forma de lançar os filmes, não quisemos complicar o processo". Dois filmes já foram vistos em uma ou duas capitais, com bom retorno de público: "Santo Forte", de Eduardo Coutinho
e "Oriundi", de Ricardo Bravo. Agora eles receberão mais cópias para serem lançados em várias cidades ao mesmo tempo.
A distribuição é o maior problema do cinema brasileiro. Dependendo do tamanho da produção, um filme brasileiro estréia com um número entre 5 e 60 cópias, enquanto as grandes produções norte-americanas vêm com cerca de 150 cópias. A mídia, impressa ou eletrônica, também favorece esses filmes, cuja metade do orçamento vai para a divulgação. "Não queremos impedir o trabalho deles, mas vamos fazer o nosso, pois há setores fundamentais para a cultura brasileira em que o Estado precisa intervir", esclareceu Moyses.
"Esse trabalho terá continuidade porque uma parte da bilheteria dos filmes reverterá para um fundo administrado pela Riofilmes e para os produtores se capitalizarem". O presidente da Riofilmes, José Carlos Avellar, não precisou o valor gasto pelos filmes brasileiros em distribuição e exibição. "Essa quantia está em função do público a ser atingido, do tipo de filme e de onde vêm os recursos para esse item", explicou ele. "Mas os 14 filmes beneficiados pelo convênio não terão só esse dinheiro para fazer seus lançamentos".
Pelo Minc foram selecionados "Hans Staden", "No Coração dos Deuses", "Oriundi", "O Dia da Caça", "Iremos a Beirute", "Santo Forte", "Fé", "As Gêmeas", "A Terceira Morte de Joaquim Bolívar", "Castelo Rá-Tim-Bum", "Bossa Nova", "A Hora Marcada", "Reunião de Demônios" e "Cruz e Souza - O Poeta do Desespero".


