Contratenores e castrados
O termo contratenor é utilizado desde o século 14. Essa característica vocal foi muito utilizada na música religiosa a partir dessa época. Há registros de contratenores que cantavam em Munique, na capela Orlando di Lasso, entre 1560 e 1570, assim como em Portugal, durante o reinado de Dom Sebastião (1557-1578). A utilização de contratenores caiu em desuso com o aparecimento dos cantores castrados (castrati), que surgiram na Espanha, no século 16. Durante os séculos de dominação árabe na Espanha, observou-se que os eunucos, castrados antes da puberdade, não apresentariam mudanças na voz mais tarde. A partir daí, começou a castração de meninos para cantarem nas igrejas, pois a espístola de São Paulo aos Coríntios diz que as mulheres devem permanecer caladas durante as cerimônias religiosas.
O apogeu dos castrados foi de 1650 a 1750. Na segunda metade do século 18, a exigência de verdade dramática na ópera fez com que sua popularidade entrasse em declínio. Eles não deixaram de existir, mas sua existência ficou restrita à Itália. Wagner pensou em usar o castrado Mustafá em ''Parsifal'', no papel do feiticeiro Klingsor, que se automutilou, mas desistiu da idéia. O último castrado profissional foi Alessandro Moreschi (1858-1922).
No entanto, na Inglaterra, os contratenores continuavam requisitados. É sabido que até mesmo o compositor Henry Purcel (1658-1695), de ''Dido'' e ''Enéias'', detinha essa qualidade vocal. Handel, que escreveu grande papéis para castrati, também escreveu para contratenor, como no oratório ''Messias''.
Quem quiser saber um pouco mais do assunto pode assistir ao filme ''Farinelli, il Castrato'' (1994), de Gérard Corbiau, e ler o livro ''Chore para o Céu'', de Anne Rice (Editora Rocco).
(Texto extraído do material de divulgação do disco ''Contratenor'', pesquisado por Edson Cordeiro)





