Contra o Tempo
Menos abominável que as duas comédias, mas também execrável enquanto vetor de desenfreada pancadaria, ''Contra o Tempo'' é mais uma novidade em exibição nacional a partir de hoje (veja a programação de cinema na página 2). Produzido pelo rei da ação, Joel Silver (''Matrix''), e dirigido pelo ex-diretor de fotografia Andrzej Bartkowiak ''Cradle 2 the Grave'' coloca lado a lado o artista marcial Jet Li e o superstar hip-hop DMX. Este número 2 do título original aparece como um trocadilho, em vez de ''to'' (para). Também, o que você queria, sutilezas bergmanianas? A faixa de impropriedade é de 12 anos, e ninguém abaixo ou acima desta idade deve assistir ao filme.
A maquinação. Tony Fait (DMX) é ladrão sofisticado e chefe de gangue eficiente. Depois de roubar valiosos diamantes negros (não o chocolate, mas pedras preciosas), Tony terá que enfrentar Su (Jet Li), agente federal da Tailândia que rastreia as tais pedras. Outro ladrão, Ling (Mark Dacascos), sequestra a filha de Tony a fim de ficar com os diamantes. Tony e Su fazem dobradinha contra o sequestrador.
Momento inesquecível: o personagem de Jet Li, trabalhando como agente secreto, por acaso vai parar num clube ilegal de lutas onde uma dúzia de homens brancos se espancam com força e vontade. Apanhado no contrapé, Li declara impassivelmente: ''Não estou aqui para lutar''. Ora, ora, Mr. Li, faça-me o favor. É como se Luciano Pavarotti, no palco e caracterizado de Otelo, dissesse para o teatro superlotado que não estava ali para cantar. E por aí caminha o resumo destas óperas mequetrefes que o cinema americano enfia goela abaixo desta imensa platéia globalizada, antes conhecida como colonizada.





