Contos de Monteiro Lobato voltam em volume único
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segunda-feira, 31 de março de 2014
Ubiratan Brasil 
São Paulo - "Muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são" - a frase imortalizada por Mario de Andrade em Macunaíma poderia muito bem ter sido escrita por Monteiro Lobato (1882-1948). Basta conferir o tom de seus textos curtos, reunidos agora pela primeira vez em um único volume, para se ter a dimensão de sua visão realista em um momento do Brasil (início do século passado, a chamada Primeira República) em que a pobreza era dominante porque a maior parte da população parecia imersa no atraso.
Contos Completos, que a Biblioteca Azul (selo da editora Globo) lança nesta semana, reúne os quatro livros de contos que Lobato publicou em vida: Urupês, em 1918, Cidades Mortas (1920), Negrinha (1922) e O Macaco Se Fez Homem (1923). São textos em que ele comprova não ter se influenciado pelo clima de reforma que marcava os autores do Rio de Janeiro, tampouco se entusiasmado pelas ilusões da Semana de Arte Moderna de 1922, que encantou a jovem burguesia paulistana.
"A contundência com que constrói a imagem do País, as imagens que apresenta da gente que o habita, as situações e os conflitos de seus personagens não só provocaram recepção favorável imediata como permanecem importantes no quadro da cultura brasileira, sobretudo pela forma com que Lobato, nestes textos, dá à realidade que quer mostrar, a da ficção", observa Beatriz Rezende, professora da Faculdade de Letras da UFRJ e autora do prefácio da edição. Para ela, as narrativas do escritor paulista não eram para entreter, mas para provocar.


