Com 46 anos dedicados ao jornalismo, não faltam a Jota Oliveira, 66 anos, experiência, um texto competente e muitas histórias para contar. Prova disso foi o sucesso do seu primeiro livro de contos - ''Histórias do Campo'', publicado em 2002, que antecedeu a publicação ''Transplante: esperança de renascer'' (2004), em que relata sua história pessoal após ter sido beneficiado por um transplante de fígado.
O desafio agora é angariar patrocínio para lançar o seu segundo livro de contos, ainda sem nome definido. As 30 histórias bem-humoradas que deverão compô-lo já estão selecionadas e vão desde contos sobre a riqueza cultural do homem do campo até temáticas mais modernas, como a utilização de equipamentos de GPS e extraterrestres.
''Algumas histórias são baseadas em fatos reais, mas bem disfarçados pela fantasia. Outro detalhe é que gosto de ambientá-las em locais reais, fazendo citações geográficas de lugares que realmente existem'', comentou Oliveira.
Acostumado a escrever sobre o meio rural, principalmente devido ao trabalho realizado na Folha Rural, da Folha de Londrina, empresa na qual trabalhou de 1966 a 2003, Oliveira também tem na memória afetiva da infância episódios nesse meio que lhe deram repertório suficiente para também imprimir sua vivência na literatura.
O trabalho na área da comunicação começou informalmente em 1956, quando era responsável por fazer a locução de músicas e notícias em um serviço de alto-falante. ''Na época tinha 16 anos e o meu grande sonho era ser locutor de rádio'', lembra o jornalista, que trabalhou em rádios de Bela Vista do Paraíso, Ibiporã, Maringá e Londrina. ''Chegava a redigir à mão mais de 300 notícias por dia'', acrescentou Oliveira, sobre um tempo em que o computador ainda não facilitava a vida do profissional de jornalismo.
Bastante conhecido pelo seu trabalho em rádio, não demorou para que um dia o amigo, e também jornalista, Délio César o convidasse para trabalhar como jornalista na sucursal que o jornal ''Última Hora'' abriria em Londrina em 1961. ''Tive que fazer um teste de redação e apesar dos meus 'vícios' de texto para rádio, passei e foi assim que entrei no jornalismo impresso'', contou.
Em 64, a sucursal é fechada devido ao golpe militar; no ano seguinte, Jota passa a trabalhar na sucursal da Folha de São Paulo em Londrina, quando uma matéria escrita por ele sobre o Castelo Eldorado chama a atenção de Walmor Macarini, na época diretor da Folha de Londrina, que o convida a trabalhar na empresa. Convite aceito, Oliveira passa integrar em 1966 a equipe de jornalistas da FOLHA, atuando nas editorias Regional e Agropecuária. A seção ''Histórias do Campo'' começou em 1980 e brindou o leitor com pequenos contos gostosos de ler.
Atualmente Oliveira atua como jornalista free-lancer e escreve para as revistas Agrolatina e Bem Público.

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