Continuidade exige criatividade
Este ano, a Escola Municipal de Teatro (EMD) terá a possibilidade de captar os R$ 36.675,00 orçados no projeto aprovado pela Lei de Incentivo para a estréia, em março, da peça ‘‘A Visita da Velha Senhora’’ – espetáculo de formatura da turma adulta. Por outro lado, a EMT ficou sem possibilidade de captação em outros projetos, como o das oficinas livres destinadas a alunos, ex-alunos e pessoas da classe teatral londrinense. ‘‘Estavam previstas entre 12 e 15 oficinas de aperfeiçoamento, complemento curricular e de reforço para quem trabalha com teatro. Sem a Lei poderemos realizar somente uma ou outra’’, argumenta um dos coordenadores da escola, José Aureliano Sabino. A montagem de conclusão de curso da turma infanto-juvenil também terá que arranjar outra maneira de viabilizar recursos.
O Ballezinho de Londrina pretende bancar a manutenção do seu projeto, também reprovado. Entretanto, nada é certo em relação às atividades realizadas, que podem ser em maior ou menor número. O mesmo não acontece com o projeto da Escola Municipal de Dança (EMD). Sem os recursos possibilitados pela Lei de Incentivo, fica praticamente inviável a manutenção das aulas teóricas oferecidas às crianças que fazem o curso regular. ‘‘A nossa escola era uma entre as três ou quatro do país a oferecer o curso com aulas de música, anatomia, terminologia e história da dança’’, declara o coordenador Leonardo Ramos.
Uma parcela dos gastos da Escola de Dança e do Ballet de Londrina é custeada pelo convênio entre a Funcart (órgão gerenciador da EMD e EMT) e a Prefeitura, estabelecido em 1995. Esta verba cobre somente a parte prática do currículo.
Outro projeto que ficou de fora da Lei de Incentivo em 2000 foi o da turnê do Ballet de Londrina. De acordo com Leonardo Ramos, o projeto prevê a viagem da companhia a 16 estados brasileiros. ‘‘O valor solicitado à Lei Municipal (R$ 49.987,50) é um patrocínio parcial da turnê. Utilizamos outros recursos para concluir o projeto, como o financiamento via Lei de Incentivo Federal. Mas é importante salientar que há sete anos o Ballet de Londrina serve como vitrine da cidade lá fora’’.
No total, seis projetos ligados à Escola de Dança foram apresentados este ano. Dois deles foram aprovados: Temporadas de Dança e Ethos (espetáculo do Ballet de Londrina).
A saída é partir para a criatividade na hora de buscar recursos extras. Leonardo Ramos conta que as campanhas de arrecadação têm sido uma fonte imediata de financiamento do Ballet e da Escola de Dança. Para dar andamento aos projetos reprovados, a campanha ‘‘Dar é Uma Questão de Impulso’’ (contribuição da comunidade via conta telefônica) será intensificada, assim como a das latas vazias de refrigerante e cerveja, que representa uma média mensal de R$ 200.
A Escola de Teatro também participa da campanha telefônica. Além disso, realiza o tradicional Nhoque da Sorte todo final de mês. Agora, os alunos inauguram uma nova promoção com comidas típicas, às terças-feiras, no restaurante O Casarão.
Pelo segundo ano consecutivo, o projeto de André Luiz Lima, ator e produtor do espetáculo ‘‘Como Morria e Ressuscitava Lázaro, o Lazarillo’’ é reprovado pela comissão de avaliação. Em 99, ele arrumou as malas e foi para o Equador, onde ensaiou e estreou a montagem, com recursos próprios. ‘‘Participei de quatro festivais internacionais, dei entrevistas divulgando o nome e mostrando a produção de Londrina’’, conta. Este ano, Lima continua a viajar e, com as apresentações, pretende pagar as despesas. A agenda do ator inclui temporadas na Rússia, Espanha e países da América Central.
O produtor Paulo Munhoz, ator e diretor da Nômade Cia. de Teatro, está envolvido em três projetos, todos reprovados: ‘‘Teatro Educação’’ (montagem infantil), ‘‘Teatro Para Todos’’ (apresentação para alunos do 2º grau e universitários) e ‘‘Os Esquecidos’’ (montagem adulta sob a direção da paulista Maria Chiesa). Em entrevista por telefone, ele disse que vai ter que se virar sozinho. ‘‘Sem a Lei, a única coisa a fazer é o espetáculo adulto com recursos próprios e possíveis investimentos. A montagem agora será realizada em São Paulo’’, diz. J.S.

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