A euforia que marcou o início das filmagens do longa-metragem ''Heróis da Liberdade'', no final do ano passado em Londrina, transformou-se em frustração para a comunidade e dor-de-cabeça para o diretor Lucas Amberg.
Desde janeiro, a produção está parada por falta de verbas. Ontem, operários da Prefeitura desmontaram a cidade cenográfica construída no aterro do Lago Igapó II, que ambientaria as cenas de abertura e as cenas finais do filme.
Hoje está prevista retirada do material e o transporte da madeira para o campus da UEL. ''Infelizmente, não consegui os recursos necessários para dar continuidade à produção. Fui atrás de patrocínio em Curitiba e no Rio de Janeiro, mas todos argumentaram que a conjuntura é desfavorável para investimentos. O estágio do filme reproduz a situação do País'' diz o diretor.
Apesar do clima de fim-de-festa, ele está esperançoso com a novidade que trouxe semana passada do Rio de Janeiro: uma virtual parceria com a Globo Filmes para a distribuição de ''Heróis da Liberdade''. Segundo o cineasta, uma cópia inacabada do longa teria conquistado a simpatia de executivos da empresa. ''Heróis da Liberdade'' é uma adaptação do livro de contos homônimo do escritor catarinense Ernani Buchmann.
O enredo aborda disputas de poder numa pequena cidade do interior. As filmagens foram realizadas em duas semanas de dezembro e duas semanas de janeiro com imagens rodadas em locais como o Museu de Arte, a Casa de Cultura da UEL, o Bar Valentino e a Concha Acústica. Segundo Amberg, 750% das cenas estão concluídas.
O investimento teria sido de R$ 350 mil, captados através da Lei do Audiovisual e do próprio bolso. O orçamento original do filme é de R$ 913 mil. O cineasta alega que a Secretaria Municipal de Cultura, parceira na empreitada, teria faltado com a contrapartida do orçamento. A pasta teria se comprometido a fornecer toda a logística e infra-estrutura para a produção, o que inclui a construção da cidade cenográfica e ítens como transporte, alimentação, hospedagem e gastos com telefonemas.
''Recebi duas parcelas de R$ 20 mil, embora eles fossem responsáveis por R$ 200 mil. O argumento do poder público é de que não há dinheiro em caixa'' diz.
Para o Secretário Municipal de Cultura, Luciano Bitencourt, a Prefeitura fez a sua parte. Além de ter fornecido serviços e articulado patrocínios da Itaipu e da Sercomtel, teria conquistado apoio de várias entidades entre elas a UEL e do Clube de Engenharia para construir a cidade cenográfica no Jardim Maringá. ''Não trabalhamos com o desejo. A coisa não acontece no tempo que a gente quer. Trabalhamos com a realidade. Sabemos das dificuldades e temos vários exemplos de produções cinematográficas que enfrentaram problemas semelhantes e estão interrompidas. Tentamos captar recursos e conseguimos o que foi possível. E vamos continuar tentando. O filme do Lucas é um projeto viável'' argumenta o Secretário.
Amberg alega que está atolado em dívidas. ''Estou devendo R$ 15 mil para pagar uma parte da equipe técnica, R$ 50 mil para o elenco e R$ 50 mil para os fornecedores (hotel, restaurantes, bares, laboratório e agência de turismo). Estou inclusive sofrendo alguns processos por causa disso'' lamenta. Apesar da uruca, ele está confiante na conclusão do longa.
Enquanto observava a demolição da cidade cenográfica, ontem de manhã, o diretor revelou que conseguiu uma parceria com a Globo Filmes na viagem que realizou semana passada ao Rio de Janeiro. ''Exibi uma cópia das cenas já filmadas do ''Heróis da Liberdade' para o Carlos Eduardo Rodrigues (diretor da empresa) e ele mostrou interesse na distribuição. É uma chancela que qualquer diretor gostaria de ter para viabilizar um projeto'' explica.
Amberg pensa em convidar um produtor de renome para abraçar a empreitada. ''Um filme com 75% das cenas rodadas, não pode parar. E ele é um filme que retrata a cultura de Londrina e do Paraná. É um filme paranaense, por isso mais do que nunca vale a pena concluí-lo'' salienta. Durante a conversa, o diretor aventou a possibilidade de alterar o roteiro para diminuir os custos da produção.
Neste caso, dispensaria a eventual remontagem da cidade cenográfica. Tudo vai depender das verbas captadas.

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