Flávio Colker/DivulgaçãoNo centro do palco, uma imensa roda. Em cena, balé e acrobaciaSão três anos de existência, muitos aplausos de crítica e público e quatro espetáculos até agora montados. O mais recente - ‘‘Rota’’ - será apresentado hoje e amanhã, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde. É a festejada Companhia de Dança Deborah Colker que vem pela primeira vez a Londrina para dar continuidade às comemorações dos 30 anos do Festival Internacional de Londrina - Filo.
‘‘Rota’’ teve sua estréia nacional em Curitiba, no mês passado, e já foi visto também por platéias gaúchas e catarinenses. A originalidade reside na utilização do gesto, bem como a apropriação de movimentos vindos de outras práticas do corpo. E, no meio disto tudo, a incursão pelo balé clássico e pelo jazz. São dois atos.
O primeiro é composto por quatro movimentos nomeados como uma partitura musical - Alegro, Ostinato, Vigoroso, Presto. Trata-se de uma reverência às vertentes eruditas da música e da dança. Ou seja, os 20 minutos iniciais do espetáculo são uma reverência ao erudito, só que com bom humor. Aos poucos, as alusões ao balé clássico vão se dissipando para que apareçam gestos e movimentos coloquiais, ordinários, cotidianos.
A partir desse momento, as vestimentas elegantes e tradicionais do balé são substituídas por camisas-esportes. A música de Mozart dá lugar a Miles Davis, Aphex Twin e Thelonius Monk. O segundo ato recebeu o nome de ‘‘Gravidade-Roda’’. E é aí que o público deve se render definitivamente à arte da companhia.
No centro do palco, uma imensa roda com dois aros de 4,5 metros de diâmetro interligados por um feixe de degraus. Em cena, balé e acrobacia. Em meio a manobras milimétricas e vagarosíssimas - que pedem equilíbrio e resistência muscular, os ‘‘atletas’’ da dança penetram numa atmosfera espacial desprovida de gravidade.
Os movimentos se fazem em todos os sentidos e direções para desenhar uma profusão de imagens de grande impacto visual. Há também, em cena, a aura do perigo já que a mais ligeira incorreção no emprego da força física pode botar tudo a perder. Tudo isso deve servir para que o público constate por que Deborah Colker é apontada como a mulher que virou a dança contemporânea parede acima.
TurnꑑRota’’ tem cenografia do badalado Gringo Cardia, iluminação de Jorginho de Carvalho e trilha sonora de Berna Ceppas. Ao todo, são quase 60 minutos de espetáculo. Treze bailarinos. Anteriormente, a Companhia de Dança Deborah Colker havia montado ‘‘Vulcão’’ (1994), ‘‘Velox’’ (1995) e ‘‘Mix’’ (fusão dos dois trabalhos, em 96).
‘‘Velox’’, por exemplo, não provocou arrepios somente na platéia brasileira. Americanos e europeus também ficaram extasiados. E foi entre uma apresentação e outra deste espetáculo que ‘‘Rota’’ foi concebido. Os ensaios efetivamente começaram em janeiro deste ano e a dedicação foi integral. No próximo ano, a companhia volta a ganhar o mundo através de uma turnê pela América do Sul, Estados Unidos, Europa e Oceania.
qRota - espetáculo com a Companhia de Dança Deborah Colker. Hoje e amanhã, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85. fone: 322-6381). Ingressos R$ 20,00 (inteiro) e R$ 10,00 (meio).

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