Nelson Sato
De Londrina
O berimbau de Naná ressoa outra vez na Brasilândia. Mais de duas décadas depois de gravar seu primeiro disco no país, o pernambucano Naná Vasconcelos volta ao mercado nacional com o álbum Contaminação, inaugurando o selo Estúdio M. Officer.
O selo é o braço fonográfico da marca de roupa M. Officer para a qual o músico foi convidado para participar com performances e produção de trilhas sonoras de três desfiles. O disco foi gestado a partir dessa experiência com o universo da moda.
O próprio nome do CD foi emprestado da performance que Naná apresentou ao lado do artista plástico Cabelo e do cineasta Arthur Omar em janeiro do ano passado durante o Morumbi Fashion. A faixa-homônima reforça a conexão com a passarela homenageando a gaúcha Gisele Bundchen, a modelo mais festejada hoje no mundo.
Contaminação traz Naná incursionando por vários ritmos tropicais – entre eles maracatu, forró, ciranda, baião e um quase-choro (como ele mesmo define no título da faixa). O disco é límpido e recheado de coros femininos e de crianças (numa faixa). Ao contrário do que a vocação do artista para o improviso possa sugerir, o CD inclui apenas uma faixa instrumental.
Mostra, portanto, facetas desconhecidas revelando-o também como letrista e cantor (pouco convincente, diga-se de passagem). A maioria das composições traz parcerias com Mércia Rangel e Vinícius Cantuária. Este último ainda canta e toca guitarra, violões e teclados ao longo das faixas. Alceu Valença faz participação especial em ‘‘A Seca’’.
O que sobressai no disco, contudo, são os vocais percussivos de Naná (particularmente em ‘‘Tá na Roda tᒒ) e os arranjos para coro de vozes de Lilian, Kelly e crianças do grupo Flor do Mangue.
O disco foi gravado em Recife e em parte em Nova York. É seu vigésimo álbum-solo e o segundo gravado no Brasil – o primeiro foi Amazonas (1973), hoje ítem de colecionadores. Naná Vasconcelos mudou-se para o exterior ainda nos anos 70 após colaborar nos primeiros discos de Milton Nascimento.
Hoje, aos 55 anos, o músico ostenta um currículo invejável que inclui gravações e participação em shows de figuras internacionais do porte de Miles Davis, B.B.King, Keith Jarret, Pat Metheny, Ornete Coleman, Jean Luc Ponty, Jan Garbareck, Sun Ra, Don Cherry, Peter Gabriel e Gato Barbieri.
Eleito por seis anos consecutivos o melhor percussionista do ano pela revista Down Beat, especializada em jazz, Naná tem alternado períodos entre Recife e Nova York. Desde 1997, ele dedica seu tempo ao projeto Flor do Mangue, que oferece oficinas de música para crianças desamparadas. Uma turma delas, aliás, participa da faixa ‘‘Science’’, que abre o novo disco.
Além disso, divide com Gilberto Gil a direção musical do PercPan, festival internacional de percussão, que acontece anualmente em Salvador. Para 2000, ele engatilha um novo CD que terá participação de vários cantores da MPB.Depois de quase duas décadas fora do mercado fonográfico brasileiro, o percussionista Naná Vasconcelos lança o CD ‘‘Contaminação’’
ReproduçãoNo disco, Naná Vasconcelos incursiona por vários ritmos brasileiros como o maracatu, forró, ciranda e baião

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