Curitiba - O 11º Festival de Teatro de Curitiba começa daqui a uma semana e meia. Os ingressos já estão à venda, as oficinas que fazem parte dos eventos paralelos têm suas inscrições abertas, a grade de apresentações foi divulgada, grupos que estão no fringe começam a divulgar seus trabalhos e os atores mergulham nos ensaios para que tudo saia a contento. Na mostra oficial – 18 peças para adultos, duas infantis e três de rua – foram reunidos trabalhos de Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte, Curitiba, Rio e São Paulo. Nove peças terão estréia nacional.
Num rápido apanhado esse é o quadro geral do evento que, segundo previsões, deverá ser assistido por cerca de 100 mil espectadores. O número de ingressos postos a venda não foi divulgado, mas nos dois primeiros dias (terça e quarta-feira) 15% do total foram consumidos. No ranking dos mais procurados ‘‘Sonho de Uma Noite de Verão’’ ocupa o primeiro posto; depois vem ‘‘Evangelho Segundo Jesus Cristo’’ e em terceiro ‘‘Norma’’.
O balé sobre a obra de Shakespeare, com bailarinos mineiros, tem concepção e adaptação de Gabriel Villela. Só ele já atrai o público, mas a ousadia de se criar um clássico utilizando a dança também se torna primordial para o interesse do público. ‘‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’’, por sua vez, traz à memória o best-seller de José Saramago. Prêmio Nobel de Literatura, Saramago também por si só é uma referência – assistir a uma adaptação do romance, com a assinatura da respeitada Maria Adelaide Amaral torna a curiosidade ainda maior.
Some-se a isso o nome da belíssima Maria Fernanda Cândido no elenco. Juntam-se os iniciados em Saramago, os fãs da dramaturga e, por fim, aquela legião que acompanhou os capítulos da novela ‘‘Terra Nostra’’ e agora vai ao teatro para ver de perto, em carne e osso, a atriz parecida com Sophia Loren. O elenco de ‘‘O Evangelho’’ reúne gente de peso como Paulo Goulart, Celso Frateschi e Walderez de Barros (aplaudidíssima ano passado, com um monólogo construído sobre poesias). Porém, tem mais Saramago no 11º FTC: a diretora Fátima Ortiz adaptou uma obra do autor que chega ao palco sob o título ‘‘O Conto da Ilha Desconhecida’’.
Em assuntos de tietagem ‘‘Norma’’, a terceira colocada na lista, deverá se tornar uma das peças mais concorridas assim que o público – especialmente o feminino – se aperceber que no elenco está o galã Eduardo Moscovis. Vai ser um corre-corre. O moço divide o palco com Ana Lúcia Torre: um homem conhece uma mulher mais velha e a partir daí seus destinos ganham outros rumos.
Enquanto galã, Moscovis está sozinho na temporada. Teria páreo duro se Rodrigo Santoro estivesse em cena em ‘‘Jaguar Cibernético’’, cartaz do Fringe. De forma discreta chegou a ser aventada a hipótese dele vir, até ser totalmente descartada a possibilidade. As fãs terão que se contentar com um Santoro virtual.
Um dos grandes atores brasileiros vem para fazer teatro de rua: Elias Andreato. Elias, Iara Jamra (conhecida pelo mesmo pessoal que acompanha novelas) e Moisés Inácio (cantor de rap) vão apresentar ‘‘22 Ó Nóis na Fita Moderna’’. Uma seleção de textos e poemas de Oswald de Andrade dá base ao espetáculo que é uma homenagem ao escritor, uma das molas mestras da Semana de Arte de 22, cujo talento o faz permanentemente atual e irreverente. Os artistas se apresentarão dias 26 e 27 na Boca Maldita.
A vitrine do festival abre-se para diversas estréias, textos inéditos e, mantendo a tradição, tem Shakespeare e Nelson Rodrigues. ‘‘Meu Destino é Pecar’’ tem autoria de Suzana Flag que, como todos sabem, é Rodrigues. Um clássico norte-americano faz parte da mostra, ‘‘Um Bonde Chamado Desejo’’, de Tennessee Williams. A peça que coloca em confronto uma professora de alma frágil e delicada com um sujeito rude, sem qualquer traço de entendimento da sensibilidade, há meio século comove platéias. O ator Milhem Cortaz atua pela terceira vez no festival, no papel do brutamontes. Com ele estão Leona Cavalli (Blanche Dubois), Isabel Teixeira e João Signorelli.

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