Lisboa, a velha capital portuguesa, dá a arrancada final para sediar a Expo 98, a última grande exposição mundial do milênio. O encontro, do qual participarão 123 países, entre eles o Brasil, irá tratar de um tema bastante familiar aos portugueses: os oceanos, um dos patrimônios mais ameaçados da humanidade, fronteira final da preservação da vida da Terra. Portugal, nos séculos XV e XVI, foi o centro do império que desbravou e dominou os mares.
A abertura oficial da feira, marcada para o dia 22 de maio, está sendo precedida de um importante ciclo de debates sobre o século XX, intitulado Festival dos 100 Dias, iniciado no dia 12 no Centro Cultural de Belém, junto à Torre de Belém, a pequena fortaleza de onde, às margens do Rio Tejo, partiram as caravelas em busca dos novos mundos.
Inspirados pelos 500 anos da conquista da Índia por Vasco da Gama, em maio de 1498, e pelos 500 anos do descobrimento do Brasil, em abril de 1500, os portugueses apostam todos os esforços na modernização do país, esperando que o sucesso do Festival dos 100 Dias, considerado o cartão de visitas da Expo 98, possa agilizar o processo. Portugal está determinado a romper o isolamento no qual viveu nos últimos anos, ganhar espaço na Comunidade Européia e em outras fronteiras comerciais, como o Brasil.
A busca de novos modelos de sociedade, globalizados ou não, coincide agora com a proposta de debate sobre os oceanos, elemento de ligação de várias nações e propriedade comum a ser preservada.
Gregos e troianos A Expo 98, bem como o Festival dos 100 Dias, que já acontece em Lisboa, têm a importante tarefa de incluir Portugal, definitivamente, no cenário cultural e científico universal. Nestes 100 dias que antecedem a abertura oficial da Expo 98, em 23 de maio, estão programados mais de 200 eventos capazes de ‘‘rechear dois meses com as estéticas mais vanguardistas deste fim de século’’, afirma Antônio Mega Ferreira, um dos organizadores da Expo 98.
De fato, os esforços para a realização do Festival dos 100 Dias e, em seguida, inaugurar a Expo 98, têm sido enormes, apesar de uma sempre presente discussão sobre os prós e os contras, ou, como dizem os portugueses, os ‘‘antes’’ e os ‘‘depois’’ dos eventos.
Num país que, depois de sua entrada na União Européia, começa a sentir o gosto do consumismo, a responsabilidade dos organizadores do Festival dos 100 Dias e, porteriormente, da Expo 98, é muito grande: como as duas manifestações artísticas, culturais e científicas foram pensadas de modo a agradar a ‘‘gregos’’ e ‘‘troianos’’, o que se espera é , definitivamente, colocar Portugal no mapa da cultura internacional e aliciar os portugueses mais teimosos a trocar seus passeios dominicais pelos florescentes (e competentes) shopping centers por uma boa exposição ou um bom espetáculo. A julgar pela venda de ingressos no Fórum de Lisboa, praticamente esgotados, o Festival dos 100 Dias será um grande sucesso.

mockup