Contagem regressiva
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Eles lançaram um dos melhores discos da última década, rodaram a Europa em turnês e continuam com a agenda de shows lotada. BNegão & Os Seletores de frequencia estão de volta a Curitiba e trazem novidades: sete músicas inéditas que estarão no segundo e esperadíssimo álbum da banda, previsto para setembro. Atração desta noite no Ambiental Bar, os cariocas também prometem tocar os ''cult hits'' do CD de estreia, ''Enxugando Gelo'' (2003): ''Funk Até o Caroço'', ''A Verdadeira Dança do Patinho'', ''O Processo'' e ''Prioridades''.
Sobre a demora para retornar aos estúdios, BNegão não faz mistério. ''Como somos totalmente independentes, não temos patrão e nem prazos. Aí a gente se enrola mesmo'', brinca o rapper, que conversou com a reportagem da FOLHA assim que desembarcou na cidade. Completam o grupo Pedro Selector (trumpete, voz), Robson (bateria), Fabiano (guitarra) e Kalunga (baixo). Paulão, o outro vocalista, não conseguiu folga no emprego (de vigilante) e ficou no Rio de Janeiro.
Em comum, todos já passaram por algumas das formações mais lendárias do underground carioca. Bandas como Pelvs, Gangrena Gasosa, Funk Fuckers, Cabeça e, é claro, Planet Hemp, com o qual BNegão fez história antes de fundar Os Seletores. Aliás, ele revela que voltou a falar com Marcelo D2 depois de anos de desavenças, mas não está muito animado com uma possível reunião do grupo (rumor que ganhou corpo no começo do ano). ''Não tenho nada a ver com isso. Acho que esse papo começou por causa do filme'', afirma, citando o longa-metragem, ainda em fase de pré-produção, que vai contar a origem do conjunto.
BNegão garante, ainda, que está totalmente concentrado no disco novo dos Seletores. Para isso, deu férias ao projeto paralelo Turbo Trio (de música eletrônica) e tem feito poucos shows com o Loucomotivos - uma espécie de ''banda de baile'' formada por figuras como Falcão (O Rappa) e Bi Ribeiro (Os Paralamas do Sucesso). ''É uma diversão entre camaradas. Tocamos muito Jorge Benjor, Sandra de Sá, Tim Maia'', conta.
O segundo álbum, ele adianta, vai do sambajazz ao hardcore, passando por dub, funk e reggae. Ou ''O lado B da black music'', como o grupo gosta de definir. A novidade é a adição de batidas inspiradas pelo afrobeat e a juju music (gêneros pop africanos). Uma cortesia do baterista Robson, recém-integrado ao grupo. ''A gente aprofundou as misturas do primeiro disco'', diz o rapper, cujas rimas fogem da ladainha habitual do hip-hop brasileiro. ''Minhas letras falam, ao mesmo tempo, de assuntos espirituais e políticos. Essa é a minha temática''.
- Show com BNegão e Os Seletores de Frequência
SERVIÇO
QUANDO - Hoje, 23h
ONDE - Ambiental Bar (Rua Itupava, 1.133)
QUANTO - R$ 15 (antecipado, primeiro lote ingressos), R$ 20 (antecipado, segundo lote) e R$ 25 (na hora)


