'CONTACT' LEVA O PRÊMIO TONY
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segunda-feira, 05 de junho de 2000
Sérgio Dávila Agência Folha 
Deu o previsto: Contact levou o prêmio de melhor musical, e Copenhagen, o de melhor peça, anteontem à noite, na entrega do 54º Prêmio Tony.
Mesmo com a falta de surpresa na premiação das duas mais importantes entre as 21 estatuetas do Oscar do teatro americano, os produtores sentados na platéia do Radio City Music Hall, em Nova York, estavam animados.
É que na sexta anterior foram divulgados os números da temporada 1999/2000 da Broadway, rua que empresta o nome à concentração dos principais teatros de Nova York. Foram US$ 603 milhões arrecadados de um público de 11,7 milhões de pessoas, que pagaram em média US$ 52,97 por ingresso. É a temporada mais rentável desde 1980/1981.
Os teatros trabalharam com espantosos 78% de ocupação, e 37 novas peças estrearam no período. As peças-irmãs, que viajam pelo mundo exibindo os mesmos sucessos em cartaz da temporada nova-iorquina mas com elencos secundários, visitaram 130 cidades, arrecadando outros US$ 571 milhões, o que dá um total geral de quase US$ 1,2 bilhão.
Para se ter uma idéia, a temporada paulistana de teatro costuma ser de US$ 3,5 milhões/ano.
A cerimônia, de três horas de duração, começou às 20 horas (21 horas de Brasília) com um clipe com trechos das principais peças.
Logo após, o ator Nathan Lane, que apresentaria a premiação com a atriz Rosie ODonnell até o final, abriu os trabalhos: Só há duas expressões de duas palavras melhores que Tony Award (prêmio Tony); Open bar (bar aberto) e Multiple orgasms (orgasmos múltiplos).
Para o telespectador brasileiro acostumado com a entrega do Oscar, o Prêmio Tony tem duas vantagens: são apenas quatro concorrentes por categoria (contra cinco da academia de cinema) e apresentação, entrega e agradecimento são infinitamente mais rápidos. Além da evidente superioridade dos clipes musicais. A reprise da entrega do prêmio vai ao ar hoje, às 14 horas, no canal Film & Arts.
As estatuetas foram entregues em meio a clipes extraídos dos musicais concorrentes Contact, Jesus Cristo Superstar, The Musical Man, The Wild Party, Swing, James Joyces The Dead. Entre as personalidades que entregaram prêmios, Kenneth Branagh, Christopher Walken e Mathew Broderick. O de melhor diretor saiu das mão do ator Al Pacino (vencedor em 69 e 77).
Quem recebeu foi Michael Blakemore, 71, por Copenhagen, que também levou o prêmio de direção de musical (Kiss Me, Kate). A última vez que ambas as estatuetas foram para uma pessoa aconteceu nos anos 60.
Copenhagen foi a grande vencedora da noite. A peça de Michael Frayn, que dramatiza o encontro verdadeiro do físico alemão Werner Heisenberg com o judeu Niels Bohr durante a Segunda Guerra, ganhou os três prêmios a que concorria.
Os musicais Contact (três histórias de amor escritas por John Weidman) e Aída (versão da Disney para a lenda que inspira a ópera de Verdi) empataram: quatro cada um. Elton John e Tim Rice (melhor trilha, por Aída) não apareceram nem mandaram representante.
A atriz Katie ODonnell terminou a noite dizendo: Venha a Nova York. Veja uma peça na Broadway. Você não vai se arrepender. E o resto foi silêncio. E cifrões.


