Uma viagem ao tempo das arábias a bordo do tapete mágico da imaginação aconteceu durante o evento ''Contação de Histórias'', protagonizado por Fernanda Stein e Meire Valin na última quinta-feira à tarde para 27 alunos do Colégio Sesi. A atividade cultural, realizada no Centro Cultural Sesi, fez parte do Projeto Salas de Leitura para Comunidade que aconteceu dentro da programação do Festival Literário de Londrina/Londrix, realizado de 20 a 26 de agosto.
Diante do grupo de alunos do primeiro ano, um público-mirim extremamente atento e participativo, as duas contadoras apresentaram duas histórias de origem oriental - ''O cameleiro espertinho'' e ''O homem que pôs a sua mulher no frasco'', recolhidas do livro ''Contos e Lendas das Mil e Uma Noites'' (Cia das Letras). Em um ambiente bastante confortável, com colchonetes e almofadas coloridas pelo chão, foi impossível não se render a boas histórias. Suspensos no teto, móbiles coloridos de kirigami (recortes de figuras de papel), do artista Angelo Cesar Meneghetti, também instigavam o senso de criatividade.
Com graça e leveza, as artistas mostraram um pouco de uma literatura milenar que mexe com a imaginação dos grandes e dos pequenos - e que sutilmente mostra o poder que a narrativa tem de nos salvar. Para quem não sabe, diz a lenda que a rainha Sherazade salvou a própria vida, literalmente, ao contar todo dia uma história - que não chegava a ter fim - para o rei Shariar, que acabou por se apaixonar por ela.
Com intervenções musicais com violão e instrumentos percussivos, além de alguns objetos cênicos simples - como lenços e um guarda-chuva -, elas conseguiram ter uma boa interação com as crianças que, com vivacidade, anteciparam algumas ações e sugeriram resoluções para os conflitos apresentados.
''A criança tem algo muito especial para lidar, pois ela vê, lê a alma da gente. Por ser um espectador mais atento, mais ligado que os adultos, o nosso compromisso com a verdade tem que ser ainda maior'', destaca Meire Valin, que desde 2010 está atuando com Fernande Stein em vários projetos educativos e culturais permanentes, entre eles, a Oficina de Literatura dirigido a professores e educadores em geral. Elas também participaram do belo musical infantil ''Do Cururu ao Tororó'', que estreou no ano passado e merece entrar em cartaz de novo. ''Ainda há muita gente que não viu e solicita mesmo o retorno do espetáculo'', comenta Fernanda.
As professoras Gislaine Moro e Valdirene Negreiro aprovaram a iniciativa e afirmaram que ela vem ao encontro com as propostas pedagógicas do Colégio Sesi de incentivo à leitura. ''Estamos organizando neste ano uma série de projetos de contação e outras iniciativas que envolvem alunos desde a educação infantil até o ensino fundamental 2'', informaram.
Dentre as atividades realizadas, tem o Diário da Leitura em que os pais registram as narrativas livres que os alunos fazem a partir de livros pegos na escola. ''A ideia é que mesmo as crianças que ainda não sabem ler façam a leitura do jeito delas para os pais, o que é uma forma de integrar a família também'', disse Valdirene. Há ainda a Caixa de Leitura, que é disponibilizada no recreio, e o Carrinho da Leitura, um painel em que os alunos vão acompanhando o seu desempenho como leitores com um carrinho. No final, o aluno que tiver mais livros lidos ganha um livro de presente.
O evento também teve um momento de leitura livre, quando os alunos tiveram acesso a parte da coleção do Projeto Sala de Leitura promovido pela Concessionária Econorte. Em seguida, eles se divertiram com as histórias do escritor Domingos Pellegrini, que fez o lançamento do livro ''No Hospital de Brinquedo'', sua quarta produção literária voltada ao público infantil.
Essa história entrou por uma porta e saiu por outra, quem quiser que conte outra.

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