CONTA CULTURA NA BERLINDA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de junho de 2001
Rodrigo Souza Grota De Londrina 
A Conta Cultura, o programa do governo estadual criado para facilitar a viabilização de projetos culturais já aprovados pelas Leis Roaunet e do Audiovisual, não irá divulgar valores dos projetos indicados para o primeiro trimestre, referente ao período de abril a junho. A secretária estadual de Cultura Mônica Rischbieter não considera relevante a divulgação dos valores, apesar de os recursos serem públicos: Não vejo por que divulgarmos esses valores. Iríamos criar atritos entre a classe artística. Cada um vai ficar reclamando que o outro produtor recebeu mais.
Questionada se não seria interessante à sociedade saber como o governo está aplicando recursos arrecadados por meio de impostos, a secretária discordou da avaliação, afirmando ser apenas do proponente o interesse pelo valor do projeto. E os empresários, não seria importante o acesso ao valor dos projetos, o que poderia estimulá-los a novos patrocínios? Rischbieter também considerou irrelevante esse questionamento, já que ninguém vai a um espetáculo e fica pensando em quanto custou para poder patrociná-lo, ponderou.
O escritor, artista plástico e poeta Luiz Arthur Montes Ribeiro considerou estranha a atitude da Secretaria Estadual de Cultura, pois com dinheiro público não pode ter segredo. Ele espera que o Fórum de Cultura do Paraná (FCP) solicite formalmente estes valores à Secretaria, já que não haveria nenhum motivo para ocultá-los. Para o escritor, jornalista e compositor Cláudio Ribeiro, um dos quatro coordenadores do FCP, a transparência nas contas públicas é necessária e deve se tornar uma prática. Ribeiro antecipou que o Fórum deve solicitar nos próximos dias formalmente os valores de cada projeto indicado pela Conta Cultura.
Em Londrina, a falta de transparência da Conta Cultura também causou desconforto. O diretor do Ballet de Londrina Leonardo Ramos não se surpreendeu com a atitude da secretária: É mais um fato estranho relacionado a este programa, já que desde o início, antes de as comissões se reunirem, alguns projetos já estavam aprovados. Não sou contra os festivais, de maneira alguma, acho até que eles mereciam mais. Outro integrante do Fórum de Cultura de Londrina que discordou da posição da Secretaria é Ana Aromatário, que não entendeu as justificativas de Rischbieter: Não publicar vai causar um problema maior do que se divulgasse.
Administrado pela Secretaria de Estado da Cultura, e com suporte financeiro de três empresas estatais Petrobras, Copel e Sanepar, a Conta Cultura destina R$ 1,492 milhão para 25 projetos paranaenses (21 da capital e quatro do interior) segmentados em cinco áreas: música (R$ 282,528 mil), audiovisual (R$ 84 mil), artes cênicas (R$ 840 mil), artes plásticas (R$ 126 mil) e humanidades (R$ 160 mil). Desses 25 projetos indicados, de acordo com Mônica Rischbieter, o de maior orçamento irá receber R$ 804 mil; e o de menor, R$ 37,5 mil.
Além desses projetos, três festivais, o de Música e o de Teatro de Londrina e o de Cinema e Vídeo de Curitiba foram contemplados nesta primeira etapa, totalizando R$ 450 mil. Apenas o Festival de Inverno de Antonina não teve recursos destinados para a sua realização, já que está incluído na categoria artes integradas e não tem 100% de incentivo, como os demais indicados.
Nesta primeira etapa, foram inscritos 96 projetos: 82 de Curitiba e somente 14 do interior do Estado (cinco de Londrina, três de Cascavel, dois de Maringá, dois de Ponta Grossa, um de Campo Mourão e um de Rio Negro). Desses, 55 foram analisados e 41 não entraram por falta de documentação solicitada.


