Consulte seu agente e boa viagem
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quarta-feira, 31 de julho de 2002
Fabíola Glenia<br> Agência Estado 
É quase impossível encontrar alguém que não goste de viajar. Talvez por isso, entre outras razões, o mercado de trabalho para os agentes de viagem seja tão atraente. Embora a crise afete diretamente esse setor, atentados, alta do dólar e incertezas políticas não são suficientes para abalar o sonho que muitos acalentam de viajar nas férias.
Mas é bom lembrar que nem só de turismo de lazer vive um agente de viagem. Hoje, o setor se especializa e existem atividades que estão em franca expansão, como o turismo de negócios. Há também quem opte por se aperfeiçoar em turismo de aventura ou gastronômico, por exemplo.
Esse é o caso do jornalista Ioram Sheps, que abandonou a profissão para se dedicar ao turismo. Há oito anos ele é proprietário da S3 Turismo, uma agência de viagens que trabalha principalmente com agribusiness e turismo gastronômico. ''É preciso ter idéias diferenciadas, como levar um grupo para beber uísque na Escócia.''
Para sobreviver num mercado ocupado por grandes agências, Sheps acredita que seja preciso investir no bom atendimento e na oferta de produtos diferenciados. E dá a dica para quem quer ingressar na área. ''A pessoa precisa saber que não tem um emprego, tem uma missão, o projeto de atender bem alguém. Não pode ser burocrata, precisa entender que o cliente quer solução, bom atendimento.''
Kátia Gonzalez, sócia-diretora do Departamento Corporativo da Traveland Viagens e Turismo, acredita que o agente, hoje, precisa estar voltado para o servir, para o cuidar do cliente. ''Para se ter uma idéia, nossa equipe faz um serviço de check-in antecipado, escolhe a poltrona de preferência do passageiro e faz a inserção das milhagens no seu cartão para que chegue no aeroporto e vá direto pegar o avião.''
Ela diz que é imprescindível para o aspirante a agente de viagem uma cultura global atualizada. ''É preciso saber como está o momento político e a situação econômica para não enviar seu cliente para um país que esteja vivendo um golpe de Estado, por exemplo.'' Kátia comenta que, para conquistar vaga como agente de viagem, o interessado precisa conhecer um segundo idioma, de preferência o inglês, ter gana de saber e senso crítico.
Para ela, mesmo com as facilidades da internet, o cliente não abre mão da segurança e da confiabilidade de consultar um agente. ''Escolher o quarto do hotel pela internet é fantástico, mas saber que esse hotel fica ao lado de um boteco que toca música alta até as 5 da manhã é uma informação preciosa.''
Com mais de 20 anos de experiência, Denise Guaraldo Viera, proprietária da DTV Consultoria em Turismo e sócia da Interagente, diz que, para atender bem o cliente, o agente precisar ter conhecimentos de informática, geografia e de outro idioma. ''A pessoa deve ser extrovertida, dinâmica, paciente, responsável e ter jogo de cintura.''
Segundo dados da Organização Mundial do Turismo, em âmbito mundial, de cada nove integrantes da População Economicamente Ativa (PEA), um atua em atividade ligada à indústria do turismo. Informações da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Estado de São Paulo (Abav-SP) indicam que existem em torno de 8.600 agências de viagem regulamentadas em todo o País, com uma média de 5,5 funcionários por estabelecimento.
''O turismo é uma indústria em fase de grande crescimento e isso significa contratação de mão-de-obra'', avalia Amauri Pinto Caldeira, presidente da Abav-SP. Para ingressar no mercado ele orienta os novatos a fazerem cursos e a buscarem uma oportunidade de trabalho. ''Tem que partir para o mercado de trabalho, seja em agências, em companhias aéreas, em hotéis. Essa é uma profissão do futuro.''


