Um espetáculo sensível, uma viagem por um Brasil musical que é ao mesmo tempo singelo, simples e cintilante. Assim é o show ‘‘Samba, Seresta e Baião’’ que a cantora e compositora Consuelo de Paula traz a Curitiba nesta sexta e sábado, às 21 horas, no Teatro do Paiol. A apresentação oficializa o lançamento do CD do mesmo título, que está chegando no mercado pela gravadora Dabliú Discos.
‘‘Samba, Seresta e Baião’’ surgiu inicialmente como projeto independente da artista. Sem contar com leis de incentivo, Consuelo batalhou sozinha a produção do disco, e esperava que levaria pelo menos um ano para esgotar o lote que mandou imprimir.
Vendidos nos teatros onde se apresentava, os CDs evaporaram em poucos meses. Foi uma surpresa para Consuelo. Com nova tiragem, continuou seu trabalho de campo, até chamar a atenção dos executivos da Dabliú, empresa que pretende se transformar num diferencial discográfico pela sua abertura aos artistas de qualidade.
O repertório da cantora tem por característica a alta qualidade de suas músicas. Ali estão composições que foram escolhidas em um mundo musical riquíssimo, mas nem todas conhecidas do grande público. Nas releituras que faz do cancioneiro popular estão números do folclore nacional, como a congada e o moçambique, este recolhido de Pratápolis, localidade do sudoeste mineiro.
Alguns clássicos a moça foi resgatar do esquecimento, caso de ‘‘Noite de Cheia de Estrelas’’, de Cândido das Neves, um dos sucessos imortalizados na voz de Vicente Celestino. Consuelo de Paula, porém, impõe seu ritmo, cor e personalidade àquilo que interpreta.
Nesta música, por exemplo, o andamento é mais ágil, sem a plangência da interpretação original. De Chiquinha Gonzaga escolheu ‘‘Lua Branca’’ e de Ataulfo Alves uma de suas últimas criações – a deliciosa, e desconhecida, ‘‘Lenço Branco’’.
Quando se decidiu pela gravação do CD, Consuelo já tinha toda a produção concluída, faltava apenas colocar em prática. Até mesmo a seleção das músicas: ‘‘Não era aquela coisa do tipo ‘o que vou colocar agora?’ Eu já tinha as onze canções e um conceito definido desses três universos da nossa música: do samba, da seresta e do baião’’, explicou mais tarde. Para ela esses três ritmos, com seu lirismo poético e melódico, resumem ‘‘tudo que o Brasil tem de bom’’.
Nas faixas do disco estão condensados 85 anos de vida musical brasileira, conforme atesta a cantora:
– Não me preocupei com a fronteira tempo. O trabalho foi de 1912 a 1997, com uma sonoridade definida. Eu queria os bandolins, violões, viola. E a percussão que define ritmicamente cada canção. O congo e o moçambique não são nada sem a definição do ritmo da percussão.
Mineira de Pratápolis, Consuelo de Paula desde pequena acompanhava o pai nos serões musicais da cidade. Apesar do gosto pela arte, e de ser uma intérprete cuja qualidade tornava-se cada vez mais evidente, ainda assim pensava em seguir a profissão de bioquímica. Concluída a universidade, veio a indecisão. Numa viagem que fez a Madri, teve tempo para refletir e quando voltou ao Brasil assumiu seu lado musical.
‘‘Samba, Seresta e Baião’’, show com Consuelo de Paula, que apresenta música folclórica e clássicos da MPB, no Teatro do Paiol, em Curitiba. Dias 27 e 28, às 21 horas. Ingressos: R$ 10,00.

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