Para construir intrumentos utilizados pelos grupos de música antiga há cerca de 12 profissionais especializados no Brasil. As referências são cópias de instrumentos encontrados em velhos baús quando músicos ingleses, no final do século XIX, começaram a fazer uma grande garimpagem em bibliotecas, casas e igrejas à procura desses documentos históricos. ''Observando essas partituras percebemos o quanto os músicos medievais experimentavam, buscavam uma diversidade de combinações, aproveitando a bagagem anterior do conhecimento musical. Infelizmente, nós, dos séculos XX e XXI, queremos ouvir o que conhecemos, não somos abertos ao novo, o que se torna um 'conhecimento' ignorante.''
Animados com tanta diversidade de sons estão os adolescentes Rafaela Fernandes, 15 anos, e Israel Martins dos Reis, 16 anos, que tocam flauta barroca e integram o grupo ''Ars Nova'', de Maringá, que irá se apresentar no domingo, às 20 horas, no Teatro Ouro Verde. Os dois fazem um curso técnico de música da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Reis contou que desde os 4 anos de idade toca piano, mas que aos 14 começou a estudar flauta e se encantou pelo som do instrumento. ''Acho o som muito agradável e me identifiquei muito com o instrumento'', disse Reis, que no próximo dia 5 de novembro irá prestar vestibular para Música na UEL.
Já Rafaela destacou que é ela quem divulga a música antiga na sala de aula do colégio onde estuda. ''Tenho amigos que nunca foram a um concerto de música antiga, mas, depois de conhecer, eles adoram. Tem canto, percussão e a repetição de alguns refrões traz a impressão de que já conhecemos aquela música. É divertido'', afirmou.
O ''Ars Nova'' foi fundado pelo música André Luiz Gonçalves de Oliveira, ex-integrante do Neuma. Outro dissidente do grupo é o cantor Carlos Eduardo da Silva Vieira, que formou dois grupos de música antiga em São Paulo: o ''Duo Cantaris'', que se apresenta no sábado, ao meio-dia, no Teatro Ouro Verde, e o ''Il Dolce Ballo'', também no sábado, às 20 horas, no mesmo local.

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