Até 11 de setembro, Ibiporã - cidade vizinha de Londrina - realiza seu 1º (?) Salão de Arte numa sala da prefeitura municipal. Trata-se de mais um certame de artes plásticas promovido pela Secretaria de Cultura do Estado em parcerias com municípios do Paraná.
Embora sua característica seja a de premiar a produção de arte contemporânea realizada no país, no caso deste salão, particularmente, das 6 obras que receberam prêmios e menção honrosa, 5 são pinturas e a outra, uma xilogravura. Nada muito contemporâneo, se pensarmos em termos de linguagem e uso de suportes.
Fora isso, dos 113 trabalhos expostos de 39 artistas alguns são cópias, exercícios, obras acadêmicas ou mero enfeite decorativo, ainda que bem acabados tecnicamente. Não há um conceito curatorial definido, ou um eixo central de discussão estética que justifique a diversidade das propostas apresentadas. Em relação à montagem e à exibição das peças, algumas considerações merecem serem feitas
Em primeiro lugar a colocação de ripas atrás das telas, presas com grampos de pressão, simplesmente violentaram as obras, tornando grosseiro o modo de apresentação dos trabalhos que receberam este tratamento. E depois, o que custava gastar mais uma demão de tinta para recobrir o fundo dos painéis expositivos?
Além do mais, a iluminação da sala não é adequada para a exposição de obras de arte, deixando todos os trabalhos banhados pela mesma luz fluorescente de repartição pública. Ou seja, como valorizar um produto que é mal apresentado, sobretudo se uma das premissas de sua existência é justamente sua apresentação? Bem, mas se não fossem as obras interessantes, que valem a pena serem vistas, não haveria a necessidade de crítica, daí as ressalvas. Felizmente há. Várias.
Como a releitura matissiana-barroca das pinturas de Marilsa Urban, que, em seu excesso de detalhes, transmitem um clima de ‘‘calma, luxuria e volúpia’’, o inverso das proposta de Odilon Ratzke, que retrata a simplicidade das cenas do cotidiano, com domínio da massa pictórica e da forma.
A instalação ‘‘Corporalidade’’, de Maíra Motta, faz uma brincadeira divertida com a experiência sensorial da arte contemporânea e problematiza a questão da percepção, na medida que uma coisa se remete a outra que é o seu oposto.
Luciano Boletti mostra três peças em que o limite entre linha, forma e volume fazem ressaltar o interesse sobre sua obra que é, ao mesmo tempo, um jogo entre realidade e ilusão.
Desenhos, esculturas, invenções com palitos de sorvete muito bem explorados, peças de cerâmica, enfim, técnicas e estilos variados que, aí sim, fazem parte da proposta da arte contemporânea. Para as cidades do interior, tão carente de produção artística, uma mostra como essa, acima de tudo merece ser preservada e aperfeiçoada. É conferir e acompanhar!
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