O assunto parece ser "batido", do tipo que todo mundo já domina, mas o que se percebe na prática é que o aumento cada vez maior do número de focos e casos de dengue exige mais informação e atitudes de prevenção. Só no Paraná, nos meses de janeiro e fevereiro, 6.851 paranaenses tiveram a doença, segundo o último relatório do Ministério da Saúde. Em Londrina, o União da Vitória é um dos bairros com mais focos de dengue e a Escola Municipal Zumbi dos Palmares, mais conhecida como o Caic da Zona Sul, decidiu investir em um projeto de conscientização – o "Combatendo a Dengue" – com alunos do quinto ano. A intenção é ampliar a iniciativa para as outras séries até o final do ano. Na próxima quinta-feira, a partir das 9h30, os alunos sairão em passeata pelo bairro até a sede do projeto Viva Vida, em uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, que está intensificando as ações de conscientização no local.

"Foi muito interessante observar nesse trabalho o quanto as crianças eram carentes de informação sobre essa doença e as formas de prevenção e contaminação. A gente acha que o assunto está saturado, que as pessoas já estão bem informadas sobre ele, mas isso não é a realidade. Há muito o que ser trabalhado com elas e suas famílias. A intenção é que eles sejam multiplicadores", conta a professora Daliane Aparecida Yurack, responsável pelo projeto.

A partir de pesquisas sobre a dengue, inclusive com a utilização de reportagem publicada pela Folha de Londrina ("PR concentra 98% dos casos de dengue do Sul"), no dia 19 de março de 2014, os alunos realizaram uma série de atividades interdisciplinares, que envolveram conceitos de matemática, ciências, história, geografia e português. "A matemática, por exemplo, entrou na confecção de gráficos interpretativos", informa a professora.

Como tarefa de casa, os alunos fizeram maquetes ilustrativas sobre os pontos de focos da dengue, principalmente nas residências, que vêm se caracterizando como o ambiente mais comum de contágio da doença. Aliás, os alunos estão se preparando para fazer jardins suspensos com mudas de citronela a partir de garrafas PET. "A citronela é um repelente natural e a ideia é que eles levem o vaso feito por eles para colocarem onde moram. É um incentivo a mais", explica a professora. As mudas foram doadas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e o plantio irá contar com a participação de estagiários do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Destacando a importância do acesso à informação, ela observa que em vários relatos dos alunos eles colocam que a mãe não permitia a entrada dos agentes de saúde – um entrave também para mais esclarecimentos e combate a novos focos de dengue. "Conversamos muito sobre essa situação e acho que agora eles estão mais preparados para conversar com os pais sobre isso", acrescenta a professora.

Empolgados com os trabalhos, os alunos já fizeram vários cartazes para a passeata programada para a próxima quinta-feira, assim como um folder explicativo - "Não morra, elimine o Aedes. E acabe com a dengue" -, que será distribuído durante o trajeto. Faixas também estão sendo confeccionadas. Poemas e até paródias de músicas conhecidas foram feitos pelos alunos, inclusive a "Lepo Lepo", utilizando o tema da dengue. Uma das atividades que os alunos mais gostaram de fazer foi a coleta de lixo no pátio da escola. "Infelizmente a gente vê que ainda falta muita conscientização. Até um papel de bala pode servir de acúmulo de água, que serve de meio de proliferação do mosquito transmissor da dengue. Pretendemos organizar uma palestra dos alunos do quinto ano para partilhar com as outras séries o que eles aprenderam", adianta a professora.

Durante a realização do projeto, os alunos também tiveram a oportunidade de ouvir relatos pessoais de quem já teve a doença, como a própria professora, em 2007. "Foi horrível. Tive muita febre e dores muito fortes nos olhos. Não sei ao certo onde posso ter me contaminado, mas na época eu fazia muitas caminhadas no Zerão", lembra. O aluno Lucas Gabriel Rodrigues Cardoso, 11 anos, também não tem saudades de quando pegou dengue: "Tive muita dor de cabeça, vômito e febre alta. Nunca mais quero passar por isso de novo. Acho que peguei dengue na casa de um amigo meu, que tinha muita sujeira. E o incrível é que eles não limparam o local nem depois que eu fiquei doente", lamenta, animado com a sua participação na passeata. "Todo mundo tem que fazer a sua parte para combater a dengue", alerta.

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