Depois que o homem experimentou guerrear contra outro homem, agora luta com a natureza. Uma batalha que põe em risco a vida no planeta e que o esforço de ambientalistas tenta selar um acordo de paz.
Para isso, cada vez mais pessoas se engajam no exército dos que acreditam na arma da conscientização para proteger a natureza, como os estudantes da Escola Estadual Fernando de Barros Pinto, no Conjunto Violin (Região Norte).
Numa estratégia bem-sucedida, eles realizaram recentemente uma Semana do Meio Ambiente em que - numa dobradinha entre esporte e cultura - deram um chega para lá na falta de consciência ecológica dos alunos e professores, aprendendo que é possível começar em casa, na escola e no bairro, a proteger a natureza.
Uma missão que os estudantes tranformaram num show de conhecimento e que fez o pátio da escola virar palco de um 'quiz' e passarela para um desfile de fantasias ecologicamente corretas, escolhendo o casal reciclável.
Com o apoio de torcidas organizadas, as quatro equipes - formadas por aproximadamente 500 alunos do ensino fundamental da escola - tiveram que suar a camisa para responder as perguntas sobre o meio ambiente.
A intenção da direção da escola é realizar um passeio ecológico com o grupo vencedor. Porém, a melhor premiação os alunos estão levando para a vida toda ao aprender que também são parte da natureza.
Entre as diversas provas que os estudantes tiveram que cumprir, a apresentação de um jornal falado, como se fosse um telejornal, colocou os problemas ambientais no foco das notícias.
''Procuramos envolver todos os alunos nas atividades. Os que não gostam de se expor, participando do jornal ou do desfile, fizeram trabalhos manuais, como a confecção de cartazes'', explicou a diretora da escola, Simone de Oliveira e Silva Costa.
Além das lições sobre meio ambiente, que se traduzem também em cidadania, as atividades revelaram o talento de alguns estudantes.
''Até os alunos mais indisciplinados participaram da gincana. Alguns quiseram dançar hip hop. Percebemos o quanto podem ser talentosos naquilo que se interessam'', comentou Simone, lembrando que a participação na atividade garantirá 30 pontos de nota, que poderão ser divididos entre três disciplinas que o estudante tiver pendência.
Não foi somente respondendo perguntas ou dançando que os alunos demostraram talento ou como podem se tornar cidadãos conscientes.
Tudo o que aprenderam sobre economia de água, através de uma palestra com técnicos da Sanepar, eles levaram para casa, orientando os pais a respeito de cuidados simples como evitar o desperdício, com apenas algumas mudanças de comportamento. Entre as dicas está o reaproveitamento da sobra da lavagem de roupa para a limpeza de calçadas.
''Achei bom participar da gincana e das palestras porque aprendi a reciclar materiais e a economizar água. Não só aqui na escola, mas fora também. Aprendi que, com a reciclagem, a gente pode fazer muita coisa: roupas, móveis e outros objetos'', revelou o estudante Petterson Oliveira dos Reis, 15 anos, aluno da oitava série.
Petterson descobriu que o homem é o maior poluidor e que alternativas como deixar o carro na garagem e optar pelo transporte coletivo podem ajudar a mudar a história do planeta.
''Antes da gincana, a gente não sabia que o desmatamento também afeta as cidades. Ao constatarmos isso, podemos fazer alguma coisa, não jogando lixo nos rios, por exemplo'', afirmou a estudante Erica Anselmo de Lima, 13 anos, aluna da sétima série, lembrando que na comunidade existe um córrego morto por causa da falta de cuidados dos moradores e do poder público.
Com pretensões menos ambiciosas do que salvar o mundo, mas conscientes de que se cada pessoa fizer a sua parte a natureza ganha alguns créditos, os estudantes aprenderam a investir na vida também reciclando o que iria para o lixo.
A partir de garrafas pets e caixas de leite, eles confeccionaram artesanatos, que foram expostos durante a gincana.
Como parte da atividade, os alunos aprenderam que as lições de cidadania vão além do meio ambiente, reconhecendo o valor do trabalho dos pais, convidados a participarem de uma feira de oportunidades, com produtos confeccionados por eles.

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