No Parque Universidade, bairro da Região Oeste de Londrina, é comum ver muito lixo jogado pelas ruas. No fundo de vale – onde antes existia um pequeno lago no qual os moradores pescavam -, hoje o que se vê é um grande depósito de entulhos e lixos. Incomodada com essa situação, a professora Márcia Donato Felicidade, da Escola Municipal Ruth Ferreira de Souza, resolveu mobilizar seus alunos para tentar mudar os hábitos dos moradores locais, lançando a campanha "Sou guardião do meu bairro".
Tudo surgiu a partir do projeto "Pequenas Ações Folclóricas que Contribuem com o Meio Ambiente", dirigido inicialmente aos alunos do terceiro ano do fundamental 1 e que está mobilizando a escola inteira. "Como em agosto precisamos trabalhar o tema folclore, aproveitei para fazer algo que provocasse uma transformação social e tivesse relação com o assunto", explica Márcia.
Ela chegou a fazer uma pesquisa de campo sobre o lixo, percorrendo o bairro com os alunos para avaliar o tipo de material que era descartado de forma inadequada. "É triste ver tanto lixo jogado pelas ruas e, olhando mais atentamente, dá até para perceber que alguns materiais descartados não são daqui, provenientes provavelmente de bairros de maior poder aquisitivo", observa a professora, lembrando que o bairro fica próximo de alguns condomínios fechados de alto padrão.
E partindo da ideia de que "informações folclóricas" vão além de lendas e histórias fictícias, significado também "aquilo que é passado de geração em geração" – e normalmente por tradição oral -, ela trabalhou com os alunos as orientações que recebem dos pais que poderiam contribuir com o meio ambiente. "Assim como eles sabem que devem manter a casa limpa e o quarto arrumado, procurei transpor isso para o meio ambiente, fazendo com que eles também prestassem atenção ao lixo que é jogado aleatoriamente pelo bairro", acrescenta.
Tendo como referência as lendas do "Curupira" e do "Boitatá", considerados "guardiões do meio ambiente", ela propôs o desafio de que os alunos se tornassem "guardiões do bairro".
Com o desafio aceito, os alunos agora já estão mais atentos com relação ao lixo jogado na escola e no bairro, e já conquistaram algumas melhorias, como a limpeza do pátio e o início da pintura da escola. "Eles escreveram uma carta ao diretor solicitando algumas melhorias e até um mutirão com os pais foi organizado para ajudar nessa tarefa", conta a professora. "No caso do bairro, já fizemos uma solicitação de limpeza na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização e pretendemos encaminhar para a Prefeitura, pelo portal 'Fala Cidadão', nossas reivindicações, já que aqui é necessário um trabalho social permanente", destaca.
Os livros "O Mundinho de Boas Atitudes" (de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen/Editora DCL) e "O Carteiro Chegou" (de Janet & Allan Ahlberg/Companhia das Letrinhas) serviram de base de apoio para a realização do projeto.

Painel de ideias
O projeto também incluiu a apresentação de trabalhos desenvolvidos sobre reciclagem para alunos de outras turmas. Tambores de tinta ("barricas") foram customizados com releituras de obras do artista plástico brasileiro Ivan Cruz e transformados em lixeiras para todas as salas de aula da escola. Jornais viraram petecas e espadas. Latas de achocolatados passaram a ser maracas. Restos de forro em PVC serviram de base para o "Jogo da Velha". Óleo velho se transformou em sabão caseiro. CDs e capas plásticas serviram de base para um divertido jogo da memória sobre diversos conteúdos escolares. Já nos terrenos baldios, a sugestão foi o plantio de uma mini horta de temperos, com caixas de leite longa vida servindo de "vaso" para plantar cheiro-verde.
Uma versão gigante de uma cartilha com orientações sobre os cuidados com o meio ambiente, distribuída nas escolas pela Unimed, também foi confeccionada pelos alunos como forma de reaproveitar o papelão e destacar a importância dos 4 Rs: repensar, reduzir, reutilizar e reciclar.
Os alunos ainda fizeram uma encenação da música "Herdeiros do Futuro", caracterizados com máscaras que representavam a flora e a fauna.

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