CONSCIENTIZAÇÃO - Somando forças
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segunda-feira, 04 de março de 2013
Ana Paula Nascimento<BR>Reportagem Local 
Colocar em prática conceitos do cooperativismo para transformar a própria realidade há quatro anos está fazendo parte da proposta pedagógica da Escola Municipal Maria Irene Vicentini Theodoro, em Londrina. Com o apoio da cooperativa de crédito Sicredi, pelo programa educativo "A União Faz a Vida", dezenas de alunos estão sendo incentivados a buscar soluções para os problemas locais tendo como meta trabalhar em conjunto.
No ano passado, o tema "Água Fonte da Vida" resultou numa grande pesquisa de campo sobre o bairro. A partir das questões levantadas pelas crianças, os trabalhos foram se desenvolvendo. Em 2013, as atividades deverão ter continuidade, com um enfoque maior na revitalização de um fundo de vale do bairro, por onde passa a nascente do Rio Cambezinho. As escolas municipais Bento Munhoz, no distrito de Lerroville, e John Kennedy, no distrito de Guaravera, também participam da iniciativa.
Em uma espécie de nova "expedição investigativa", um grupo de alunos pôde verificar semana passada que restam poucas das 12 placas explicativas que espalharam pelo bairro, no final do ano passado, para alertar sobre o uso consciente da água. Na praça próxima à escola, duas placas estavam jogadas no chão. Já em um campo a céu aberto do bairro, no Jardim Nova Conquista, uma surpresa: uma das placas estava amarrada à uma árvore, iniciativa voluntária de algum dos moradores.
No gramado do que deveria ser um campo de futebol, os alunos constataram que ainda há uma grande quantidade de cavalos soltos, estrume, lixo e entulhos jogados por carroceiros da região. Quando chove, o cenário é ainda mais desolador, já que a sujeira invade o córrego do Rio Cambezinho, que deságua no Parque Arthur Thomas. Ligações clandestinas de esgoto também contribuem para poluir ainda mais a água que aparentemente está limpa.
No bairro ainda existem algumas minas, que servem de fonte de água limpa para os moradores quando falta água encanada. Em uma delas, foi construída uma caixa de concreto para conter a água, sendo esvaziada para limpeza conforme a necessidade. Há também um tanque construído para ser uma piscina comunitária, mas que acabou virando um bebedouro para os cavalos e hoje está abandonado, correndo o risco de servir de criadouro de mosquito da dengue. "Se esse local fosse limpo, isso aqui seria lindo", afirmou o pedreiro Ailton Bispo de Alcântara, que mora no bairro há 32 anos.
Atentos, os alunos realmente perceberam que ainda há muito o que fazer e que é necessária uma maior conscientização entre os moradores. "Estamos trabalhando muito a importância da união do grupo para exigirmos mudanças e, em 2013, queremos enfocar também na responsabilidade social, no comportamento do dia a dia dentro e fora da escola", ressaltou a supervisora Rosana Aparecida Casa Santa Pierote. "Vamos atrás de parcerias, patrocínios para ver se conseguimos revitalizar esse espaço", reforçou a diretora Deise Macedo Reis Cavalcanti.
Já a professora Lissandra Marques Martins Romagnolli relatou o entusiamo dos alunos ao trabalharem o tema água de uma forma diferenciada e mais sistematizada. "O meu subtema foi mais voltado ao Rio Tibagi, que abastece Londrina, e um trabalho foi complementando o outro. Eles conseguiram entender a importância da vontade de criar um ambiente saudável para todos", ponderou.
Durante a "expedição", a aluna Helen Priscila Silagye de Moraes, 11 anos, aproveitou para entregar uma sacolinha de lixo para colocar no carro do morador Giovani Henrique Ferreira, 20 anos, que atualmente está desempregado. Após algumas explicações sobre o projeto, a aluna contou sobre a história do beija-flor que de gota em gota conseguiu acabar com o incêndio em uma floresta. Ferreira acabou relatando que dependendo do "tamanho do lixo" costuma jogá-lo pela janela, mas prometeu que irá procurar ter uma atitude mais consciente a partir de agora.
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