Com o tema "Década Mundial de Ações para a Segurança do Trânsito: Seja você a mudança", a Semana Nacional de Trânsito, comemorada entre os dias 18 e 25 de setembro, tem o foco de conscientizar a sociedade sobre a mudança de comportamento como ação primordial para a redução de acidentes no trânsito, uma das principais causas de morte no País. Neste sentido, a Escola Prática Educativa de Trânsito do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) vem realizando atividades com crianças para que estas sejam fomentadoras de um ambiente favorável em valorização da vida. Em Londrina, a escola existe desde o ano 2000 e atende gratuitamente trinta municípios da região. No total, existem seis escolas em todo Estado.
A Escola Prática disponibiliza um espaço de cerca de cinco mil metros quadrados de extensão simulando uma estrutura viária (faixas de pedestres, semáforos, rotatórias, passarelas). Segundo a gerente Franciele Farias Cardoso, no local, crianças de escolas – municipais e particulares - têm a possibilidade de recriar situações reais vividas rotineiramente no trânsito e, assim, aprender a melhor postura para evitar que acidentes aconteçam. "Nosso objetivo é sensibilizar essas crianças para que elas desenvolvam valores e atitudes positivas no trânsito. Aqui, nosso foco é no papel dela como pedestre, ciclista, passageiro, e não como futuro motorista. Com nossa metodologia, ela percebe que também faz parte desse sistema e como seu comportamento é muito importante", enfatiza.
Por meio de um convênio com a Secretaria Municipal de Educação de Londrina e a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), a escola tem professoras da rede e um policial que ficam responsáveis pela aula educativa. Existem, basicamente, dois cursos: "Aprendendo e Vivendo", para alunos do quinto ano, e o curso de iniciação ao trânsito, para crianças do primeiro ano. "A abordagem e linguagem são direcionadas conforme a idade. Nosso foco são as crianças do quinto ano, pois já andam sozinhas na rua e, por isso, precisam de orientação. As menores, por sua vez, ainda que aconselhemos sempre estarem acompanhadas de um adulto, também precisam começar a entender que já fazem parte desse universo", explica. A Escola Interativa levou cerca de 30 alunos do primeiro ano ao espaço na última semana.
Desde o momento em que chegam à aula, as crianças recebem informações e noções de trânsito. Inicialmente, participam de uma palestra interativa, uma espécie de teatro, em que o personagem faz tudo errado. "De forma lúdica e divertida, as crianças corrigem esse personagem, mostrando o que deve ou não ser feito. É uma forma de assimilarem o conteúdo teórico que já foi abordado em sala de aula." Isso porque, antes das escolas irem até o espaço, é trabalhada uma cartilha produzida pela Coordenadoria de Educação de Trânsito do DER, material com informações, ilustrações e exercícios, que dão introdução ao tema e noção de seu papel no trânsito. Já com as crianças menores, é contada uma história e, depois, brincam com um jogo de memória.
Ainda no auditório, um simulador de carro com um boneco mostra às crianças o que acontece quando não se usa cinto de segurança no banco traseiro. Sem o cinto de segurança, o corpo é lançado ao para-brisa. Em uma batida, um corpo no banco de trás é atirado para frente com uma força 50 vezes maior que seu peso. Com isso, a possibilidade de acidente fatal é quase certa. "Eles ficam impressionados com o que veem e, dessa forma, se conscientizam da importância. Saem daqui mais críticos e cobrando os pais e amigos por uma postura correta e responsável." Quem fizer tudo correto na aula prática, ao final, recebe um certificado e uma carteira de habilitação de pedestre, como forma de valorização às situações vivenciadas. "Ninguém pode atravessar quando o sinal estiver verde para os carros. Antes de atravessar a rua, também temos que olhar para os dois lados", disse Guilherme Benetelo, de seis anos.
Dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que, por ano, mais de 600 crianças morrem no País vítimas de acidentes de trânsito. "Sabemos que grande parte dos acidentes de carro e atropelamentos são causados pela imprudência. Dessa forma, muitas pessoas morrem por falta de tolerância e cuidados. Incorporar mudanças de posturas e atitudes no trânsito desde a infância pode transformar esse quadro, pois alertamos que todos, independentemente da posição, são responsáveis por suas ações, decisões e escolhas", reitera a gerente.

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