O primeiro Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (Liraa) realizado em Londrina este ano revelou que o município estava em estado de infestação de dengue, com um índice de 10%. Ou seja, dez vezes acima do tolerado pelo Ministério da Saúde (MS). Porém, em alguns bairros, o índice era ainda maior. O terrível primeiro lugar ficou para o Conjunto Jamile Dequech, na zona sul, onde foi identificado um índice de infestação de 26%. Isso significa dizer que uma em cada quatro casas do bairro tinha focos do mosquito da dengue.
Diante do índice assustador, a direção da Escola Municipal Irene Aparecida da Silva, localizada no bairro, se viu na obrigação de fazer algo além do rotineiro para mudar a estatística. "Quando retornamos das férias escolares, ficamos assustados com a situação. Motivados pela Secretaria Municipal de Educação, que lançou um desafio para todas as escolas da cidade de um projeto de combate ao mosquito transmissor, tivemos a ideia de expandirmos as atividades que já eram realizadas", explica a diretora Márcia Francisco. O projeto participou do Concurso "Doe 10 minutos do seu dia contra a dengue", da Secretaria e ficou entre as três escolas vencedoras, ganhando como prêmio um notebook.
A primeira ação da escola foi realizar palestras para as crianças com agentes de endemias e vídeos. Mas, somente isso não seria o suficiente. "Percebemos que precisávamos ir além da sala de aula para conscientizarmos não só os alunos sobre a gravidade da doença, mas toda a população. Foi quando organizamos um grande 'panelaço', em que todas as crianças da escola - munidas de cartazes, faixas, apitos e muitas panelas - saíram às ruas do bairro fazendo barulho e alertando os moradores para os perigos da dengue e necessidade de cuidar do quintal."


Além da mobilização, professores engajaram-se na causa e iniciaram ações mais pontuais e constantes com as crianças. "Vimos o quão importante era não deixar o assunto cair no esquecimento. Nos apoiamos, então, na lei estadual 152/2013", explica a professora regente Silvana Biazão Kern. A lei em questão instituiu no Paraná o "Dia de Ação contra a Dengue": todo dia 9 de cada mês, as instituições executivas do Estado devem promover ações de combate à dengue de maneira a interromper o ciclo de vida do mosquito transmissor da doença, ao contrário do que se faz hoje quando o combate se dá apenas em época de infestação.
Baseado nisso, todo dia 9 de cada mês acontece uma ação na escola com a finalidade de mobilizar os alunos. A primeira, realizada no mês passado, foi a criação de um vaso freático, no qual crianças de 6 anos utilizaram uma garrafa pet para fazer um vaso de plantas que não acumula água. "Depois de aprenderem em sala de aula, as crianças explicaram para toda a escola como se produzia o vaso. É uma forma de compartilharem o conhecimento", conta a professora. A ideia, segundo ela, é que, a cada mês, uma turma desenvolva um projeto diferente.

Alunos fabricam repelente natural
O projeto escolhido neste mês foi a fabricação de um repelente natural. Para isso, a professora de Ciências, Andrea de Azevedo Rigolon, pesquisou receitas caseiras de produzir o produto. A turma escolhida foi o terceiro ano da manhã, em que cerca de 20 alunos participaram. "Ensinamos que o repelente natural é uma das maneiras de 'enganar' o mosquito da dengue. Essa ação não combate a proliferação do inseto, mas ajuda a espantá-lo da pele evitando a picada", diferencia. Depois de misturarem os elementos, ela explica aos alunos que o cheiro do cravo é o responsável pela ação que espanta os mosquitos. Depois de explicarem para toda a escola, os demais alunos vão receber um frasquinho com o produto e um frasco maior também ficará disponível dentro da sala de aula para uso contínuo.
Ao misturar os elementos, as professoras aproveitam para explicar como o produto age na pele, as reações químicas entre os elementos, a matemática por meio de unidades de medida e quantidades, além de atentar para a importância da reciclagem. "Fizemos, ainda, anteriormente, o uso de reportagens jornalísticas sobre o assunto para a produção de texto e trabalhamos o português mostrando a diferenciação dos gêneros de linguagem. Uma paródia, inclusive, foi criada a partir da atividade", conta. O vídeo está disponível na FolhaWeb.
Segundo ela, com o trabalho interdisciplinar, as crianças ficam mais engajadas, assimilam mais as informações e repassam o conhecimento em casa para toda família. "Nossa maior alegria foi ver que no Liraa posterior, nosso bairro não apareceu mais entre os piores com infestação", comemora a professora.

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