CONSCIENTIZAÇÃO - Biblioteca Móvel Ambiental leva conhecimento de forma lúdica
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segunda-feira, 04 de abril de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Basta perguntar às crianças sobre cuidados com o meio ambiente que elas têm a resposta na ponta da língua: "não jogar lixo no chão" e "reciclagem". A resposta imediata, ao que tudo indica, é fruto da conscientização rotineiramente trabalhada pelos professores, de forma interdisciplinar, para que haja mudanças positivas no comportamento. Esse aspecto possui uma importância indiscutível, porém, este é, praticamente, o final da cadeia produtiva e muito acontece antes das "coisas" leia-se embalagens, eletrônicos, vestuário, entre outros tornaram-se lixo ou, no mínimo, inúteis. E, numa economia em que se estimula o perfil consumista, na qual a prática do descarte e troca são comuns, conhecer de onde vêm e para onde vão esses materiais é imprescindível para o despertar de um novo cidadão.
Desde 2015, a Biblioteca Móvel Ambiental, projeto de ônibus itinerante da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, tem proporcionado aos alunos de Londrina uma aula diferente. Dentre as várias temáticas trabalhadas estão a prevenção da dengue, economia de água e de energia, consumo consciente, preservação ambiental, reciclagem e cidadania.
Este ano está sendo abordada a origem dos principais materiais plásticos, vidro e papel além de colocar as crianças em contato com um grande acervo de livros, revistas, gibis e jogos infantis com o meio ambiente. Muitos desses materiais são doados por instituições e entidades ligadas ao meio ambiente ou, então, adquiridos e doados por empresas como parte de Termo de Ajuste de Conduta (TAC), fixada em multa pela Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente.
"Tão importante quanto eles terem a consciência do que fazer com o 'lixo' e seu descarte correto, é desenvolverem o consumo consciente. Para isso, inicialmente, eles assistem a vídeos educativos que mostram como é fabricado o vidro, o papel e o plástico, para que conheçam o processo produtivo e que tudo demanda matéria-prima, ou seja, recursos naturais", explica Adriana Rodrigues Ferreira, professora responsável pelas atividades do ônibus, complementando que, em escolas da área rural, o desperdício tem outra abordagem.
Para participar, as escolas agendam um horário com a Sema e a Biblioteca Móvel vai até à instituição, cuja atividade é realizada, geralmente, com duas turmas por período. Por ano, aproximadamente 12 mil alunos da rede municipal de ensino participam do projeto. Desde sua implantação, em 2005, a Biblioteca Móvel Ambiental já atendeu cerca de 100 mil crianças e adultos.
Segundo Adriana, depois do trabalho com diversos assuntos com as crianças é possível perceber a diferença no comportamento delas e, até mesmo, da cultura da escola, que passa a investir em itens como instalação de lixeiras para separar os materiais, plantação de árvores e atividades que envolvam a comunidade. "Parte dessa mudança ocorre pela motivação dos alunos que visitam o projeto", comemora. De fato, o contato com os materiais e os vídeos desperta na criança, no mínimo, uma curiosidade sobre o assunto, ainda mais quando descobrem de onde vêm os materiais e o tempo que demoram para desaparecer do meio ambiente. "O marcador de livro dá uma ideia de quantos anos os materiais demoram para se decompor. Muitas delas não tinham ideia e ficam impressionados com o plástico, que leva cerca de 100 anos", completa.
Mudanças visíveis
Na semana passada, alunos do terceiro ano da Escola Municipal Juliano Stinghen puderam conhecer de perto o projeto e ler as diversas histórias disponíveis no acervo. O ambiente todo lúdico também favorece o interesse das crianças não apenas na temática, mas na leitura em si.
"Atividades que fogem do cotidiano marcam a memória e ajudam muito na fixação do conteúdo trabalhado em sala de aula. Depois de participarem, as crianças ficam mais entusiasmadas e passam a incorporar hábitos no dia a dia. Mais que meio ambiente, criam noções de cidadania, com direitos, mas, principalmente, deveres. Hoje, por exemplo, já percebemos mudanças visíveis na escola, como menos desperdício de comida na hora do lanche", diz a professora do terceiro ano Adriana Luciano Gomes, que acompanhava os alunos. (M.T.)
Serviço:
Para receber o projeto é preciso agendar um horário pelo (43) 3372-4769. Atendimento às terças e quartas à tarde e quintas e sextas de manhã


