CONSCIÊNCIA POLÍTICA - Jovens mostram a sua força
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segunda-feira, 01 de julho de 2013
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Eles são jovens, gostam de internet, piercing e pintar o cabelo de cores extravagantes, mas também querem um Brasil melhor. Nas últimas semanas, o país e o mundo acompanharam com certa dose de surpresa milhares de jovens brasileiros de diversas classes sociais se mobilizarem em passeatas nas ruas por melhorias políticas e sociais. A gota d'água foi a reação violenta da polícia de São Paulo contra manifestantes que reivindicavam o queda do reajuste de R$ 0,20 na passagem de ônibus. Apenas a ponta do iceberg. O país tem mais demandas graves na saúde, na educação, na gestão pública, ainda mais diante de gastos exorbitantes com a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Um caldeirão de reivindicações que surpreendeu pelo apartidarismo, pela força e o poder de organização das redes sociais.
Um primeiro passo para um processo de conscientização política que se espera ser permanente. Algumas metas já conquistadas: o arquivamento da PEC 37, a redução de tarifas de ônibus em vários Estados e a corrupção considerada crime hediondo.
No Colégio Estadual Hugo Simas, em Londrina, houve grande adesão às passeatas, principalmente no período noturno, em que, segundo a direção, 90% dos alunos deixaram de ir às aulas para participar das manifestações. Diante de um momento tão crucial, as aulas de história, filosofia e sociologia viraram espaço de esclarecimento para as questões pertinentes que foram aparecendo espontaneamente entre os alunos. Tal fase histórica do país também veio ao encontro da recente reestruturação do grêmio estudantil do colégio após estar desativado por 14 anos.
Instrumento prático do exercício dos direitos e deveres no espaço escolar, retomar o grêmio fez parte do trabalho de pesquisa da pedagoga Rosangela Pereira da Silva Benfatti, que está concluindo formação continuada dentro do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE). "A ideia era fomentar a participação dos alunos nas estâncias colegiadas da escola, pois isso também ajuda a compreenderem o poder da cidadania e da representação dos alunos na luta por melhorias na escola. É um processo que tem tudo a ver com o que está acontecendo nesse momento no país e isso vai influenciar na conclusão do meu trabalho", afirma a pedagoga.
A Chapa Coco, que foi a vencedora com 552 votos e concorreu com mais duas chapas, é formada por 17 alunos, sendo apenas 5 meninos, incluindo o presidente Lucas Rea. No programa de propostas, organização de um projeto de reciclagem na escola, reativação dos laboratórios, sala de arte maior e mais eventos culturais para formação de pessoas mais críticas.
"Antes as reclamações eram soltas e com o grêmio conseguimos ter um poder maior de voz. É um processo longo de conscientização dos alunos. Tem gente que acha que formamos o grêmio para sermos populares e outros não têm noção, e pediram até 'groselha' no bebedouro", comenta a estudante Letícia Feltrin, 17 anos, uma das mais atuantes do grupo e que pretende cursar Direito.
Ela participou de algumas passeatas na companhia da irmã Amanda Feltrin, de 14 anos, e ressalta ser inesquecível sentir a "vibração da rua" com tantas pessoas exigindo um país melhor: "As pessoas não davam nada para a nossa geração, achavam que não tínhamos nada a dizer sobre política, mas nos preocupamos com isso também", defende Letícia, que já estava se preparando para a mobilização marcada para a última segunda-feira.
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